SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo teve forte alta e chegou a disparar mais de 5% nesta segunda-feira (8), após Israel atacar uma usina petroquímica no Irã, que havia lançado mísseis contra o território israelense no domingo (7), acabando com o cessar-fogo entre os países que estava sendo respeitado desde 7 de abril. Horas depois, os dois países anunciaram nova trégua.

O temor do agravamento do conflito no Oriente Médio levou a cotação do barril Brent, referência mundial, a atingir US$ 98,07, alta de 5,35%, por volta das 5h (horário de Brasília). Às 16h, a negociação do contrato de agosto estava em US$ 23, valorização de 1,22%.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também subiu e alcançou US$ 95,38, mas estava em US$ 91,14 por volta das 16h, para o contrato de julho.

A disparada ocorreu após a divulgação dos ataque de Israel ao complexo petroquímico de Mahshahr, no sudoeste do Irã, além de supostos alvos militares. O bombardeio ocorreu após seguidos pedidos do presidente dos EUA, Donald Trump, ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que não ocorressem mais ofensivas ao território iraniano,

Após os ataques desta segunda, Trump voltou a pedir pelo cessar-fogo. “Ambos os lados, Israel e Irã, estão buscando um cessar-fogo imediato! As negociações finais de paz estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem”, postou o republicano em sua rede social Truth Social.

Os dois países anunciaram uma trégua aos ataques, mas os iranianos afirmaram que vão retomar as ofensivas caso Israel volte a disparar contra o Líbano.

Trump afirmou que o bloqueio dos EUA aos portos iranianos continua até que o acordo seja obtido. “Permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um acordo final seja alcançado”, comentou.

A resposta do mercado foi o aumento do preço do petróleo desde o começo das negociações. “Com a troca de tiros entre Irã e Israel, o mercado está preocupado com a possibilidade de os fluxos pelo estreito permanecerem restritos por mais tempo, elevando os preços do petróleo”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS.

No domingo, Israel também voltou a atacar uma região de subúrbios ao sul da capital do Líbano, na primeira investida contra um reduto do grupo extremista em Beirute desde o cessar-fogo intermediado em 16 de abril.

Em retaliação, Israel bombardeou o país persa na madrugada de segunda-feira (8) no Oriente Médio. A escalada complica os esforços liderados pelos EUA para intermediar um acordo mais amplo com o Irã, pressionando os preços do petróleo em quase 5%.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC na sigla em inglês) culpou os EUA pela mais recente troca de ataques com Israel e afirmou que a nova ofensiva a alvos não militares e do setor energético teria consequências para a economia global.

A IRGC afirmou que, em retaliação, havia lançado um ataque com mísseis contra uma instalação semelhante na cidade israelense de Haifa.

No primeiro ataque a uma instalação de energia dentro do Irã desde o cessar-fogo de 8 de abril, Israel disse que atingiu alvos no complexo petroquímico de Mahshahr, enquanto uma autoridade da província afirmou à agência de notícias semioficial Fars do Irã que partes da instalação foram danificadas.

Outro ponto de preocupação foi o anúncio dos houthis, alinhados ao Irã, que prometeram interromper o tráfego marítimo de navios ligados a Israel no Mar Vermelho, que vem sendo usado como opção desde o bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Os investidores ainda repercutem anúncio da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), que neste domingo informou um novo aumento em suas metas de produção de petróleo em igual número de meses, embora a guerra dos EUA com o Irã ainda impeça vários membros do grupo de bombear mais. É a quarta vez que a entidade decide elevar a extração.

A guerra cortou os fluxos de petróleo através do estreito de Hormuz, criando a maior crise de abastecimento global da história, já que membros importantes da Opep+, incluindo a Arábia Saudita, não conseguem abastecer integralmente os clientes desde o final de fevereiro.

A crise para a Opep+ piorou quando os Emirados Árabes Unidos deixaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo após quase 60 anos.