SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A 30ª Parada LGBT+ começou na avenida Paulista na manhã deste domingo (7) com discursos contra a extrema direita, críticas à queda de patrocínios ao evento e defesa do voto em candidaturas que defendam as causas LGBTQIA+ .

O evento também conta com a presença de políticos e candidatos de esquerda.

“Na hora da eleição, não é para votar em quem quer nos matar e nos esconder. A gente tem que estar em todos os lugares”, disse a drag queen Salete Campari, uma das precursoras da Parada.

“Há 30 anos, quando colocamos 500 pessoas na rua, falavam que era uma loucura. Hoje é a maior loucura do mundo”, disse.

O tema deste ano é “A rua convoca, a urna confirma”. O trio elétrico principal teve discursos da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) e dos deputados estaduais Eduardo Suplicy, Beth Sahão (ambos do PT) e Mônica Seixas (PSOL).

“A parada é a última barreira para os conservadores pelo que ela representa”, disse Sâmia.

Os discursos criticaram um projeto de lei aprovado em primeira votação na Câmara Municipal que pretende proibir a presença de crianças e adolescente na Parada e que o evento seja realizado em um local fechado.

“Ninguém vai parar a Parada. Nós temos o direito de existir. Vamos tirar da política aqueles que não nos querem vivas”, disse Monica Seixas.

“Jamais aceitaremos voltar para o armário. Nós somos um povo de paz, mas se eles querem guerra, nós vamos lutar. A arma deles é o ódio, e a nossa é o amor”, disse a transexual Léo Áquilla (PSB), pré-candidata a deputada estadual.

O desfile dos 14 trios elétricos–quatro a menos que na edição anterior–começou às 10h, na avenida Paulista, passando depois pela rua da Consolação.

Entre as atrações, o cortejo terá shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Thiago Pantaleão e Melody.

Neste ano, a Parada registrou uma queda de 60% em patrocínios de empresas em relação à edição anterior.

Nos últimos cinco anos, saíram da lista de patrocinadores marcas como Burger King, Jean Paul Gaultier, Mercado Livre, Sephora, Smirnoff, Terra e Vivo.

Marcas como Amstel e L’Oréal estão entre as patrocinadoras desta edição, com trios elétricos próprios. Os valores não foram divulgados por questões contratuais.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) também diminuiu os recursos. Foram R$ 5,5 milhões investidos nesta edição–R$ 500 mil a menos que no ano anterior. Segundo a prefeitura, o recurso é destinado à infraestrutura, contratações de artistas e outras atividades relacionadas ao evento como a Feira LGBT+, que acontece no Vale do Anhangabaú.

Como de costume em anos eleitorais, o tema principal é o voto da comunidade em candidatos que defendam as causas LGBTQIA+ e de diversidade. Dessa vez, o slogan é “A rua convoca, a urna confirma”.

“O objetivo central é incentivar o voto consciente em candidatos e candidatas que efetivamente lutem pelos direitos da comunidade LGBT+. Mas não defendemos nenhum partido específico”, diz Matheus Emílio, diretor e porta-voz da organização.