SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mais de 1,2 milhão de pessoas lotaram as ruas de Madri neste domingo (7) para uma missa do papa Leão 14. No evento, ele pediu uma renovação da fé católica na Espanha e disse que Deus “está ao lado dos pobres, dos oprimidos, dos que estão sozinhos e abandonados”.
O rei Felipe 6 e a rainha Letizia se juntaram a multidões de devotos que agitavam bandeiras espanholas e do Vaticano na Praça Cibeles. Alguns jogaram pétalas de flores quando o papa chegou ao local em seu papamóvel branco, ao som de gritos de “viva o papa”.
Em sua homilia, Leão disse que os espanhóis não deveriam encarar a religião como “um museu do passado a ser visitado, mas uma escola de fé da qual se pode extrair algo ainda hoje”, e exortou os fiéis a viverem a fé católica ajudando os outros.
A missa acontece no segundo dia da visita de sete dias de Leão 13 à Espanha, onde a prática religiosa tem caído de forma acentuada nos últimos anos, assim como em boa parte da Europa ocidental.
Uma grande operação logística e de segurança foi montada para o evento. Após a missa, o papa conduziu uma procissão por um trajeto ladeado de cravos brancos e amarelos as cores da bandeira vaticana.
Os organizadores informaram que mais de 1,2 milhão de pessoas estavam presentes na praça e no entorno.
Nico Aldeanueva, 28 anos, que visitava Madri vindo da Filadélfia, nos Estados Unidos, disse que o papa é “uma força muito unificadora em um momento em que temos divisão em tantas frentes diferentes”.
“Parece que temos conflitos intermináveis e, por um momento aqui, dá para dar uma pausa, aproveitar o instante e sentir a fé”, afirmou.
Ana Milagros, 64 anos, que agitava uma bandeira vaticana, disse achar o papa nascido nos Estados Unidos “acessível” e “muito sincero”.
“Há muita polarização e diferenças na política, nas questões sociais, na economia”, disse ela, acrescentando: “O papa está tentando, com esta visita, ajudar a todos nós.”
Mais tarde neste domingo, Leão 14 se reunirá em particular com membros de sua ordem religiosa agostiniana antes de encontrar representantes do entretenimento, do esporte e da cultura em uma arena no centro de Madri, com o objetivo de fomentar o diálogo entre a fé e a sociedade civil moderna.
Cerca de 56% dos espanhóis se identificam como católicos, ante 90% na década de 1970, segundo pesquisa divulgada no mês passado pelo Centro de Pesquisas Sociológicas, órgão público autônomo.
No sábado, o papa se reuniu com migrantes e pessoas em situação de rua antes de uma vigília de oração com cerca de 600 mil jovens do lado de fora do estádio Bernabéu, do Real Madrid, que se estendeu pela noite.
O papa iniciou a visita ao país com pompa e cerimônia em uma recepção no palácio real de Madri, onde pediu o fim de “narrativas polarizadoras” e “simplificações estéreis”. Leão também elogiou a Espanha cujo governo de esquerda tem se desentendido com seu país natal, os Estados Unidos, e com Israel sobre as guerras no Oriente Médio por seu “compromisso ativo com a paz e a solidariedade entre os povos”.
Leão disse ainda esperar que a visita, a primeira a um país da União Europeia fora da Itália, sirva de exemplo ao mundo sobre o respeito a “todo ser humano”, e pediu a líderes que deixem de dividir os eleitores.
O papa deve visitar Barcelona na terça (9) e na quarta-feira (10), quando abençoará a torre recém-concluída da basílica da Sagrada Família, que fez do templo a igreja mais alta do mundo.
A viagem terminará com foco na migração nas Ilhas Canárias, destino chave das chegadas irregulares, com milhares de pessoas morrendo no Oceano Atlântico na tentativa de alcançá-las. Lá, o papa se encontrará com migrantes que arriscaram a vida ao cruzar o oceano vindos da África Ocidental.






