Da Redação

A Justiça do Rio de Janeiro retomou nesta segunda-feira (25) o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, morto aos 4 anos em março de 2021. A sessão ocorre no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, sob condução da juíza Elizabeth Machado Louro.

Os dois réus respondem por crimes relacionados à morte da criança. Jairinho é acusado de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação de testemunhas. Já Monique responde por homicídio qualificado por omissão e outros delitos ligados ao caso. Ambos permanecem presos preventivamente.

O julgamento havia começado em março deste ano, mas acabou interrompido após os advogados de defesa de Jairinho deixarem o plenário alegando dificuldades de acesso às provas do processo. A atitude levou ao adiamento da sessão, decisão criticada pela magistrada responsável pelo caso, que classificou a ação como uma tentativa de atrasar o júri popular.

Antes da retomada, a defesa do ex-vereador apresentou novos recursos para tentar suspender o julgamento e questionar provas periciais e digitais utilizadas pela acusação. Os pedidos, no entanto, foram rejeitados pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, Henry foi vítima de agressões constantes dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto. A acusação sustenta que Monique tinha conhecimento das violências, mas não teria tomado providências para impedir os abusos. As defesas dos acusados negam as acusações e apontam supostas falhas na investigação e nos laudos periciais.

A morte de Henry Borel aconteceu em 8 de março de 2021 e teve ampla repercussão nacional. Inicialmente, o caso foi tratado como um possível acidente doméstico, mas exames posteriores identificaram múltiplas lesões e sinais de agressão no corpo da criança. Imagens de câmeras de segurança mostraram Henry desacordado sendo levado ao hospital pelo casal.

O caso também motivou a criação da chamada Lei Henry Borel, voltada ao endurecimento de medidas de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica no Brasil.