Goiás lidera no Brasil o enfrentamento à abertura de empresas com indícios de lavagem de dinheiro ou financiamento ao crime organizado. Entre 2020 e 2025, a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) registrou 24.942 comunicações de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o equivalente a quase metade das 52.648 notificações realizadas por juntas comerciais de todo o país no período.
Os dados consolidam o Estado como referência nacional em rigor, vigilância e compromisso com a integridade do ambiente de negócios
As comunicações são realizadas em cumprimento à Instrução Normativa nº 76, do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (Drei), que estabelece critérios para identificação de operações consideradas atípicas durante a constituição, alteração e reativação de empresas.
Empresas suspeitas
Na Juceg, o sistema foi parametrizado para identificar automaticamente situações previstas na norma e encaminhar os relatórios ao Coaf, reforçando os mecanismos de controle e fiscalização previstos na legislação federal.
“O sistema da Juceg identifica a situação e gera o relatório. Não necessariamente significa que há crime em tudo, pois são diversos os casos listados na normativa. Estamos cumprindo com nossa obrigação e informando todas as situações ao Coaf”, afirma o presidente da Juceg, Euclides Barbo Siqueira. “Estamos no topo da transparência quando se trata de combate a esse tipo de crime”, completa.
Somente em 2025, a Juceg realizou 2.761 comunicações relacionadas à abertura de mais de uma empresa pela mesma pessoa física ou jurídica em menos de seis meses, principal situação atípica identificada pela autarquia.
Também foram registradas 367 ocorrências envolvendo pessoas expostas politicamente (PEP) no quadro societário, 296 casos de participação de menor de idade, incapaz ou pessoa com mais de 80 anos em sociedades empresariais e 56 registros de pessoa jurídica integrada por um ou mais sócios, procuradores ou administradores domiciliados em localidades caracterizadas como paraísos fiscais.
Depois de Goiás, os estados com maior número de comunicações ao Coaf no período foram Paraná, com 8.476 registros; Piauí, com 5.059; São Paulo, com 3.926; e Sergipe, com 2.671 notificações. Amapá, Ceará, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, configuram com cinco notificações cada; Maranhão e Roraima, com quatro; e, por fim, o Acre, com duas comunicações no mesmo intervalo, segundo o relatório do Conselho de Controle.
As informações encaminhadas pela Juceg subsidiam análises do Coaf, unidade de inteligência financeira do Brasil vinculada ao Ministério da Fazenda, e podem ser utilizadas por órgãos de investigação, como a Polícia Federal, em apurações relacionadas à lavagem de dinheiro e financiamento ao crime organizado.
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Fonte: Agência Cora







