Da Redação
A Câmara Municipal de Goiânia avançou na análise de um projeto que prevê a criação de um museu em homenagem às vítimas do acidente radiológico com o Césio-137, tragédia ocorrida em 1987 e considerada a maior do mundo fora de usinas nucleares. A proposta é de autoria do vereador Kitão e busca transformar a história do episódio em um espaço permanente de memória, educação e conscientização.
O texto já recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e segue agora para tramitação nas demais comissões da Casa antes de ser votado em plenário. Segundo o parlamentar, a intenção é preservar a memória das vítimas e evitar que o episódio seja esquecido pelas novas gerações.
A proposta prevê a criação do Museu das Vítimas do Césio-137, que deverá reunir documentos históricos, fotos, depoimentos, objetos e materiais relacionados ao acidente radioativo que marcou a história de Goiânia e do Brasil. O espaço também poderá sediar palestras, atividades educativas, exposições culturais e ações de apoio à pesquisa científica sobre o tema.
O acidente ocorreu em setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia abandonado de uma clínica desativada na região central de Goiânia. Sem saber do perigo, o equipamento foi levado para um ferro-velho, onde a cápsula contendo Césio-137 foi aberta. O material radioativo, que emitia um brilho azulado, acabou sendo manuseado e compartilhado entre moradores, provocando uma grave contaminação.
Oficialmente, quatro pessoas morreram em decorrência direta da radiação nos meses seguintes ao acidente, mas centenas tiveram algum nível de contaminação e milhares foram afetadas psicologicamente, socialmente e economicamente pela tragédia. O episódio também deixou marcas profundas relacionadas ao preconceito sofrido por vítimas e familiares ao longo dos anos.
De acordo com Kitão, o museu serviria não apenas como homenagem, mas também como instrumento educativo e turístico para Goiânia. O vereador defende que o espaço ajude a manter viva a memória das vítimas e amplie o debate sobre segurança nuclear e responsabilidade pública.
A tragédia do Césio-137 já inspirou livros, filmes, documentários e séries ao longo das últimas décadas. Em 1990, o longa “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” retratou o episódio nos cinemas brasileiros. Mais recentemente, a Netflix lançou a minissérie “Emergência Radioativa”, baseada nos acontecimentos ocorridos na capital goiana.
Goiânia já possui monumentos que fazem referência ao acidente, como o Monumento à Paz Mundial, obra do artista plástico goiano Siron Franco instalada no Bosque dos Buritis em memória das vítimas do desastre radiológico.








