Da Redação

As articulações da direita para as eleições presidenciais de 2026 ganharam um novo capítulo de desgaste após críticas feitas por Romeu Zema ao senador Flávio Bolsonaro. A manifestação do ex-governador de Minas Gerais provocou reação de aliados do PL e aumentou a instabilidade na relação política entre o partido de Jair Bolsonaro e o Novo.

O atrito começou depois que Zema comentou a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso Banco Master. O político mineiro classificou como “imperdoável” a conduta atribuída ao senador nas conversas divulgadas recentemente, declaração que repercutiu negativamente entre integrantes do bolsonarismo.

A reação veio rapidamente. Carlos Bolsonaro utilizou as redes sociais para atacar Zema, acusando o ex-governador de ultrapassar limites políticos ao entrar na crise envolvendo o irmão. Sem citar diretamente o nome do mineiro, o vereador licenciado ironizou a postura do pré-candidato do Novo e intensificou o clima de confronto entre os grupos políticos.

Nos bastidores, integrantes do PL passaram a discutir a possibilidade de rever alianças estaduais com o Novo. A deputada Júlia Zanatta afirmou que a permanência das parcerias pode ser reavaliada diante das declarações de Zema, especialmente em estados onde as duas siglas planejavam atuar juntas em 2026.

A crise também provocou divisões dentro do próprio Novo. Diretórios estaduais do partido, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, demonstraram desconforto com a fala de Zema por causa das alianças regionais já estabelecidas com o PL. Lideranças locais avaliam que o conflito nacional pode prejudicar estratégias eleitorais montadas para o próximo ano.

Apesar do desgaste, Flávio Bolsonaro declarou que considera precipitada a postura do ex-governador mineiro. O senador afirmou que foi “pré-condenado” publicamente antes do esclarecimento completo do episódio envolvendo Vorcaro.

O embate acontece em um momento delicado para a direita brasileira, que ainda busca consolidar nomes competitivos para a disputa presidencial de 2026. Zema tenta ampliar seu espaço nacional como representante liberal, enquanto Flávio Bolsonaro trabalha para fortalecer sua pré-candidatura com apoio do núcleo bolsonarista.