Walison Veríssimo
Em meio ao avanço do debate sobre segurança pública e à disputa política que se desenha para 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula um pacote de quase R$ 1 bilhão para a área. A iniciativa faz parte de uma estratégia para responder às críticas da oposição e disputar espaço em um tema tradicionalmente dominado por discursos mais duros, como o do governador Ronaldo Caiado.
O plano, batizado de “Brasil contra o Crime Organizado”, deve ser lançado nos próximos dias e prevê um investimento de aproximadamente R$ 960 milhões. Os recursos serão direcionados principalmente ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional, ampliando o orçamento já previsto para o setor.
A proposta inclui um conjunto de medidas administrativas e operacionais, com a edição de decretos e portarias que regulamentam ações de combate às facções criminosas. O objetivo é dar mais estrutura às forças de segurança e fortalecer a atuação do governo federal em uma área considerada sensível para a popularidade da gestão.
Além do aporte financeiro, o projeto também prevê a criação de linhas de crédito para que estados possam investir em segurança, embora o formato desse mecanismo ainda esteja em definição.
O programa será estruturado em quatro frentes principais: combate ao tráfico de armas, enfraquecimento financeiro das organizações criminosas, melhoria na investigação de crimes graves e reforço do sistema prisional.
Entre as ações previstas, está a ampliação de mecanismos de rastreamento de dinheiro ilícito, com integração de órgãos como polícias, Ministério Público e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Também há foco no investimento em perícia e polícia científica, buscando aumentar a taxa de resolução de homicídios, que hoje ainda é considerada baixa no país.
Outro ponto do plano é aprimorar a gestão de bens apreendidos de criminosos, com incentivo à venda antecipada desses ativos e destinação dos recursos para financiar políticas de segurança.
Nos bastidores, o pacote é visto como uma tentativa clara de reposicionar o governo no debate público. A segurança deve ser um dos temas centrais da eleição presidencial, especialmente diante de adversários que defendem endurecimento no combate ao crime, como Caiado e o senador Flávio Bolsonaro.
Com isso, o governo busca não apenas ampliar investimentos, mas também construir uma narrativa mais forte na área, tentando reduzir o desgaste político e equilibrar a disputa em um dos temas mais sensíveis para o eleitorado brasileiro.





