FERNANDO NARAZAKI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo despencou 3,71% na tarde desta sexta-feira (1°) após o Irã anunciar que enviou uma nova proposta de paz para os EUA, com a intermediação do Paquistão.
Autoridades paquistanesas confirmaram que receberam o novo texto dos iranianos na quinta-feira (30) e encaminhou-o para os norte-americanos nesta sexta-feira, mas não divulgou maiores detalhes.
Após o anúncio feito pela agência iraniana de notícias IRNA, a cotação do barril Brent para julho, o mais negociado, passou a desabar e foi a US$ 106,30 (R$ 526,43) por volta das 12h45 (horário de Brasília). Antes disso, o preço chegou a US$ 112,43 (R$ 556,79), alta de 1,84%, às 3h30 (horário de Brasília).
Porém, aos poucos, o valor foi recuando e teve uma queda mais acentuada a partir das 11h30 até atingir US$ 106,30. No dia anterior, o petróleo alcançou US$ 114,70, maior valor desde 31 de março.
Para o contrato de junho, com entrega de curto prazo, o barril Brent chegou a US$ 126,41, a cotação mais alta em quatro anos, segundo o jornal The New York Times, mas caiu para US$ 114,01, às 10h42. Porém, ele não é a referência do mercado, já que tem um volume de negociação menor do que os acordos para julho.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, foi a US$ 106,62 (R$ 528,01) às 3h30, mas também passou a despencar e estava em US$ 100,81 (R$ 499,24), queda de 4,05%, às 12h50, para o contrato de junho.
Na quinta-feira (30), o presidente norte-americano, Donald Trump, se reuniu para discutir o plano para novos ataques no território iraniano para tentar aumentar o estrangulamento à economia local com o impedimento do envio de petróleo a países aliados.
Os EUA bloquearam o tráfego de embarcações pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, no início de abril e, desde então, o governo divulgou que mais de 40 navios foram impedidos de transitar na região e entregar os barris. Já o Irã está impedindo o tráfego desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques de norte-americanos e israelenses.
O regime iraniano ativou defesas aéreas e planeja uma resposta ampla se for atacado, tendo avaliado que haverá um ataque curto e intensivo dos EUA, possivelmente seguido por um ataque israelense, disseram duas pessoas do alto escalão do Irã à agência de notícias Reuters.
O Irã exige manter o controle sobre o estreito de Hormuz e que possa continuar com o seu programa de enriquecimento de urânio, que afirma ser exclusivamente para fins civis. O regime enviou uma nova proposta de acordo nesta quinta-feira, mas a Casa Branca não comentou o teor do documento.
Em meio às negociações, o conselheiro presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que o Irã não tem credibilidade. “Nenhum arranjo unilateral iraniano pode ser confiável ou considerado após sua agressão traiçoeira contra todos os seus vizinhos”, afirmou Gargash. Os Emirados Árabes foram um dos países atacados por mísseis iranianos durante esses dois meses de conflito.
“A cada dia que passa, o risco econômico cresce”, comentou Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial. “Se estivermos aqui daqui a um ou dois meses, e o Brent ainda estiver acima de US$ 120, e ainda tivermos um bloqueio e talvez bombas ainda estejam caindo, esse é um cenário muito diferente do que estamos vendo agora”, complementou.
Nesta sexta-feira, Trump enfrenta um prazo formal dos EUA para encerrar a guerra ou apresentar ao Congresso argumentos para estendê-la sob a Resolução de Poderes de Guerra de 1973. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que não será necessária a aprovação do Congresso, já que o cessar-fogo paralisa a contagem dos dias. O presidente já teria alertado funcionários que o confronto deve se estender por um período longo. Atualmente, os dois países estão em cessar-fogo sem prazo determinado para acabar.
Sem uma resolução a curto prazo, os norte-americanos voltaram a solicitar que outros países formem uma coalizão internacional para reabrir Hormuz, agora sob o nome de Construção da Liberdade Marítima (MFC, na sigla em inglês). O pedido já havia sido feito em março, mas não foi apoiado por alguns dos principais aliados dos EUA como Reino Unido, França, Itália, Japão e Coreia do Sul.
“A MFC constitui um primeiro passo crítico no estabelecimento de uma arquitetura de segurança marítima pós-conflito para o Oriente Médio”, informa o telegrama do governo dos EUA, que deverá ser transmitido oralmente às nações parceiras até 1º de maio.
A maioria das principais Bolsas pelo mundo ficaram fechadas nesta sexta-feira, em virtude do feriado do Dia do Trabalho. As exceções são Londres e Nova York. A capital inglesa fechou em queda de 0,08%, enquanto as três dos EUA registravam alta às 13h: Dow Jones (0,04%), S&P 500 (0,66%) e Nasdaq (1,17%).




