Da Redação
A Polícia Federal voltou a agir no caso envolvendo artistas e influenciadores investigados por um suposto esquema bilionário. Horas depois de a Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus e determinar a soltura dos envolvidos, o órgão solicitou a prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira.
Decisão do STJ mudou o cenário
A reviravolta começou quando o STJ considerou ilegal a prisão temporária dos investigados. O ministro responsável pelo caso entendeu que houve um erro no prazo definido pela Justiça de primeira instância, que havia determinado 30 dias de detenção, apesar de a própria Polícia Federal ter solicitado apenas cinco dias.
Com esse entendimento, o habeas corpus foi concedido e estendido a todos os alvos presos na operação, garantindo a soltura do grupo.
Novo pedido: prisão preventiva
Logo após a decisão, a Polícia Federal apresentou um novo pedido, desta vez de prisão preventiva. Diferente da temporária, essa modalidade não tem prazo definido e pode ser decretada quando há riscos concretos ligados à investigação ou à ordem pública.
Segundo a corporação, o avanço das apurações trouxe novos elementos que justificariam a medida. Entre os argumentos estão a gravidade dos crimes investigados, o volume de dinheiro movimentado e a possibilidade de continuidade das atividades ilegais.
A PF também aponta risco de interferência nas investigações, como destruição de provas ou alinhamento de versões entre os suspeitos.
Esquema bilionário sob investigação
Os investigados são alvos da chamada Operação Narco Fluxo, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão.
De acordo com as investigações, o grupo utilizaria uma estrutura sofisticada para ocultar a origem dos recursos, incluindo:
- apostas ilegais (bets)
- rifas clandestinas
- empresas de fachada e “laranjas”
- uso de criptomoedas
- remessas de dinheiro ao exterior
- possível ligação com tráfico internacional de drogas
Os suspeitos haviam sido presos no dia 15 de abril, durante a operação, que mobilizou centenas de agentes e apreendeu documentos, dispositivos eletrônicos e registros financeiros.
Defesa contesta nova ofensiva
A reação da defesa foi imediata. Advogados de um dos investigados classificaram o novo pedido de prisão como tardio, questionando por que a medida não foi solicitada anteriormente, caso já houvesse fundamentos para isso.
O que pode acontecer agora
O pedido de prisão preventiva ainda precisa ser analisado pela Justiça. A partir disso, três caminhos principais podem surgir:
- aceitação do pedido e nova prisão dos investigados
- rejeição da medida, mantendo-os em liberdade
- imposição de medidas cautelares alternativas
Enquanto isso, o caso segue em andamento e pode ganhar novos desdobramentos conforme o avanço das investigações.
Um caso em rápida escalada
A sequência de decisões — prisão, soltura e novo pedido de detenção em questão de horas — mostra a complexidade do caso e a disputa jurídica em torno da investigação.
Com valores bilionários, nomes conhecidos do funk e influenciadores digitais envolvidos, o episódio já se tornou um dos mais repercutidos do ano no país — e ainda está longe de um desfecho definitivo.




