Da Redação

O julgamento do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal terminou com penas que ultrapassam 1,2 mil anos de prisão somadas entre os réus. A decisão foi anunciada após seis dias de júri e trata do assassinato de dez pessoas da mesma família, ocorrido entre o fim de 2022 e o início de 2023.  

Apontado como um dos principais responsáveis pelo crime, Gideon Batista de Menezes recebeu a maior condenação: 397 anos, além de penas adicionais e multa. Segundo a investigação, ele teve papel central na articulação das mortes e participou diretamente da execução das vítimas.  

Outros envolvidos também receberam penas elevadas. Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a mais de 351 anos de prisão e é considerado peça-chave no planejamento e execução dos crimes, tendo inclusive confessado participação. Já Horácio Carlos Ferreira Barbosa recebeu pena superior a 300 anos por atuar nos sequestros, assassinatos e ocultação dos corpos.  

Fabrício Silva Canhedo foi condenado a mais de 200 anos de prisão, sendo apontado como responsável por vigiar o cativeiro e auxiliar na ocultação de provas. O quinto réu, Carlos Henrique Alves da Silva, teve uma participação menor e acabou condenado a dois anos de reclusão, após ser absolvido de parte das acusações.  

Crime motivado por disputa de patrimônio

As investigações indicaram que os assassinatos foram motivados pela tentativa de tomar posse de uma chácara avaliada em cerca de R$ 2 milhões. Para isso, o grupo planejou uma sequência de crimes que incluiu sequestros, extorsão e execução das vítimas ao longo de cerca de 18 dias.  

Entre os mortos estão adultos e crianças da mesma família, o que aumentou a comoção durante o julgamento. Segundo o Ministério Público, a intenção dos criminosos era eliminar possíveis herdeiros do imóvel, garantindo o controle total da propriedade.  

Julgamento marcado por emoção

O júri contou com o depoimento de 18 testemunhas e foi acompanhado de perto por familiares das vítimas. A sessão foi descrita como intensa e carregada emocionalmente, principalmente devido à brutalidade dos crimes e ao número de vítimas.  

Durante a decisão, a Justiça destacou que o veredicto seguiu os limites legais, mas reconheceu a dimensão da tragédia. Os condenados deverão cumprir pena inicialmente em regime fechado, com exceção de um dos réus, que teve regime mais brando.  

O caso segue como um dos mais chocantes já registrados no Distrito Federal, tanto pela violência quanto pela complexidade do plano criminoso, que mobilizou uma força-tarefa de investigação e julgamento.