Da Redação
A decisão de uma professora brasileira de encerrar a própria vida por meio da morte assistida na Suíça gerou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o tema no Brasil. Diagnosticada com uma doença degenerativa grave, ela optou pelo procedimento após meses convivendo com a progressiva perda de autonomia.
Identificada como Célia Maria Cassiano, a educadora enfrentava uma condição que comprometia o funcionamento do neurônio motor, causando a perda gradual dos movimentos e da fala. Apesar do avanço da doença, ela relatava manter plena capacidade intelectual, o que tornava ainda mais difícil lidar com a deterioração física do corpo.
Diante desse cenário, Célia decidiu viajar até Zurique, na Suíça, país onde o suicídio assistido é permitido sob regras específicas. A escolha, segundo ela, foi motivada pelo desejo de evitar sofrimento prolongado e garantir uma morte que considerasse digna, sem dor e com autonomia.
Antes do procedimento, a professora publicou um vídeo de despedida nas redes sociais. Nele, falou abertamente sobre sua condição e explicou os motivos que a levaram à decisão. Em tom sereno, afirmou que vivia um processo de “degeneração física”, embora sua mente permanecesse ativa.
Na mensagem final, ela também deixou um apelo para que o tema seja discutido no Brasil, defendendo o direito de escolha em casos semelhantes. “Não é uma obrigação, é uma escolha para quem quiser”, disse, ao incentivar o debate sobre a legalização da morte assistida no país.
Célia ainda compartilhou momentos de seus últimos dias na Europa, destacando experiências culturais e demonstrando gratidão pelas pessoas que a acompanharam durante a viagem. Em sua despedida, afirmou partir em paz, após uma vida que descreveu como plena.
O caso também chama atenção para as diferenças legais entre países. Na Suíça, o suicídio assistido é permitido desde que não haja interesses egoístas de terceiros e que o paciente manifeste, de forma consciente, o desejo de morrer. Já no Brasil, a prática é proibida, o que leva pessoas em situações semelhantes a buscar alternativas no exterior.
A história da professora reacende discussões sobre ética, autonomia e cuidados no fim da vida, temas cada vez mais presentes diante do avanço de doenças degenerativas e do envelhecimento da população.






