RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – O faturamento das fabricantes de máquinas e implementos agrícolas cresceu 23,3%% em janeiro, em comparação com o mesmo mês do ano passado, e a previsão para as próximas feiras agrícolas -que concentram os principais negócios- é positiva, mas não para todas. A taxa de juros é outro obstáculo para o mercado.

Os dados, da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquina e Equipamentos), foram divulgados na tarde desta quarta-feira (26) e mostram que o cenário se deve sobretudo ao desempenho do mercado interno.

De acordo com a associação, o resultado também mantém os sinais de recuperação que foram observados nos últimos meses do ano passado.

As vendas no mercado doméstico de tratores e colheitadeiras somaram 3.289 unidades em janeiro, 53,9% mais do que as 2.137 de janeiro de 2024, enquanto as exportações caíram 50,9% (de 503 unidades para 247).

No geral, incluindo máquinas e implementos para outras atividades, o setor cresceu 19,5% em janeiro, com receita líquida de R$ 20,5 bilhões.

Desse total, o mercado interno respondeu por R$ 15,6 bilhões, alta de 32,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Já as exportações recuaram 22,3%, atingindo US$ 818 milhões (R$ 4,7 bilhões, ao câmbio desta quarta). O cenário externo se deve principalmente à redução dos embarques de máquinas para Estados Unidos, Singapura e México.

A projeção da Abimaq é que o setor tenha crescimento no ano de 3,7%, o que resultaria no fim de uma série de três anos consecutivos de queda.

Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, afirmou que o desempenho de janeiro ocorreu a partir de uma base muito baixa, com resultados ruins de vendas no primeiro mês do ano passado.

“Quando a gente olha, principalmente, as vendas no mercado doméstico, janeiro de 2024 foi o pior resultado da série da indústria de máquinas e equipamentos. Então, isso explica esse crescimento importante que a gente está vendo agora. Se trata de uma recuperação em relação ao que a gente teve nos últimos anos”, disse.

Segundo ele, a queda acumulada entre 2022 e o ano passado foi de 23% e o que se vê agora é uma sequência da recuperação iniciada em agosto do ano passado.

De acordo com Estevão, a perspectiva geral é de que as próximas grandes feiras agrícolas tenham desempenho positivo, mas isso não acontecerá com todas devido a problemas regionais.

A Show Rural Coopavel, primeira grande feira de máquinas do país no ano, anunciou ter negociado R$ 7,05 bilhões entre os dias 10 e 14, em Cascavel (PR), recorde na história do evento.

Os associados da Abimaq que participaram da feira relataram vendas 5,9% superiores ao ano passado, dentro da expectativa da associação para o que acontecerá no ano.

O mesmo não se pode dizer da Expodireto Cotrijal, que será realizada entre 10 e 14 de março em Não-Me-Toque (RS).

“Como [o RS] está tendo uma seca muito grande, provavelmente devemos ter venda bem pior que ano passado. A seca está bem grande, já tem um mercado que não está bom, estão vindo de quatro anos ruins, dois anos de seca severa, enchentes ano passado e seca de novo agora. Nesse aspecto, não vai ser bom”, disse.

Já as expectativas para as grandes feiras do Centro-Oeste -Show Safra Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde (final de março) e Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO), em abril-, são mais positivas devido à boa produtividade no setor de grãos e à consequente capitalização dos produtores rurais.

O mesmo se espera para a Agrishow, entre abril e maio em Ribeirão Preto, muito forte em máquinas e produtos para os setores de café, laranja -que têm apresentado “preços excepcionais”- e cana-de-açúcar.

Para o dirigente da associação, o que pode segurar as vendas neste ano são as taxas de juros, consideradas altas para quem procura financiamento de maquinário.

“O pessoal realmente não vai comprar, quer dizer, quem precisar comprar e precisar financiar, vai pensar muito. Provavelmente ele vai deixar para frente, porque a taxa de juros é bastante alta.”