O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não conseguiu garantir maioria parlamentar nas eleições gerais do país e terá de enfrentar negociações para tentar permanecer no comando do governo. O bloco formado por partidos de direita e ultraortodoxos conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Para assegurar maioria, são necessários pelo menos 61 representantes.

Os resultados finais foram divulgados nesta sexta-feira (30) pela Comissão Central de Eleições de Israel, após a conclusão da apuração e a revisão dos dados. Apesar de o Likud, partido de Netanyahu, ter sido a legenda mais votada, com 27 cadeiras, o resultado não garantiu sustentação suficiente para a continuidade da atual coalizão.

O principal adversário do primeiro-ministro, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, conquistou 21 cadeiras com o partido Yashar. Já o Juntos, liderado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, obteve 12 representantes.

A Lista Conjunta, formada por uma aliança de partidos árabes, conquistou 11 assentos. Os Democratas, liderados por Yair Golan, e o Ra’am (Lista Árabe Unida) ficaram com oito cadeiras cada.

Outras legendas também garantiram representação parlamentar. Yisrael Beytenu, de Avigdor Lieberman, Otzma Yehudit, de Itamar Ben-Gvir, e Judaísmo Unido da Torá conquistaram sete cadeiras cada. Shas e Sionismo Religioso, liderados respectivamente por Aryeh Deri e Bezalel Smotrich, ficaram com seis assentos cada.

Ao todo, 11 partidos superaram a cláusula de barreira de 3,25% dos votos e conseguiram representação no Parlamento.

Veja os resultados das eleições

O Likud terminou na primeira posição, com 1.167.458 votos, o equivalente a 20,52% dos votos válidos. O Yashar ficou em segundo lugar, com 913.502 votos (16,05%).

Confira a votação das legendas:

  • Likud: 1.167.458 votos (20,52%);
  • Yashar: 913.502 votos (16,05%);
  • Juntos: 531.414 votos (9,34%);
  • Lista Conjunta: 500.147 votos (8,79%);
  • Os Democratas: 366.352 votos (6,44%);
  • Yisrael Beytenu: 337.413 votos (5,93%);
  • Ra’am: 337.253 votos (5,93%);
  • Otzma Yehudit: 326.624 votos (5,74%);
  • Judaísmo Unido da Torá: 312.604 votos (5,49%);
  • Shas: 299.506 votos (5,26%);
  • Sionismo Religioso: 290.451 votos (5,10%).

A participação eleitoral chegou a 77,9%, com 5.716.665 votos contabilizados. Desse total, 5.690.778 foram considerados válidos e 25.887 foram anulados.

Partidos árabes podem decidir a formação do governo

Com os dois principais blocos abaixo dos 61 assentos necessários para governar, os partidos árabes passaram a ocupar uma posição importante nas negociações políticas. Juntos, eles conquistaram 19 cadeiras, o maior resultado desse grupo na história eleitoral recente de Israel.

A oposição liderada por Eisenkot também enfrenta dificuldades para construir uma maioria. Para assumir o governo, o grupo precisaria negociar apoio de partidos árabes, possibilidade que encontra resistência entre diferentes lideranças políticas, inclusive dentro da própria oposição.

Entre as alternativas discutidas estão a formação de uma coalizão ampliada, a construção de um governo minoritário com apoio parlamentar externo ou a realização de novas eleições.

Netanyahu, por sua vez, permanece como primeiro-ministro enquanto as negociações são conduzidas. Uma das possibilidades seria a composição de um governo de união nacional, reunindo partidos de diferentes campos políticos, embora existam divergências que dificultam esse entendimento.

Como será escolhido o próximo primeiro-ministro?

A Comissão Central de Eleições tem até 4 de novembro para certificar oficialmente os resultados. Depois dessa etapa, o presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá iniciar consultas com os representantes dos partidos eleitos.

Com base nas recomendações recebidas, Herzog indicará o parlamentar que considerar ter melhores condições de reunir apoio suficiente para formar o próximo governo. A escolha não precisa necessariamente recair sobre o líder da legenda mais votada.

O indicado terá 28 dias para negociar uma coalizão, prazo que poderá ser ampliado por mais 14 dias. Caso não consiga chegar a um acordo, o presidente poderá designar outro parlamentar para tentar formar o governo.

Se as tentativas seguintes também fracassarem, a legislação israelense prevê outras etapas de negociação parlamentar. A ausência de um acordo poderá levar à convocação de novas eleições.

O novo Knesset tem previsão de iniciar seus trabalhos em 10 de novembro. Até lá, as articulações entre os partidos devem definir os possíveis caminhos para a formação de uma maioria e a escolha do próximo governo israelense.

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