Goiás poderá ampliar suas exportações para a União Europeia em aproximadamente US$ 208 milhões por ano até 2036, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). A projeção considera os efeitos da redução gradual das tarifas comerciais previstas no acordo entre o Mercosul e o bloco europeu, que entrou em vigor em 1º de maio de 2026.
De acordo com Saulo Nogueira, analista de Desenvolvimento da Fieg, o crescimento não será imediato. O impacto deverá ocorrer progressivamente, conforme as barreiras comerciais forem eliminadas ao longo dos próximos dez anos. A expectativa é que a redução dos impostos torne os produtos goianos mais competitivos no mercado europeu, ampliando a demanda e o volume de vendas.
A estimativa considera o potencial adicional de exportações em comparação com os valores atualmente registrados. Segundo Nogueira, uma das vantagens para Goiás é que a União Europeia começou a reduzir suas tarifas antes do Brasil, permitindo que os produtos brasileiros tenham condições mais favoráveis de acesso ao mercado europeu já nesta primeira etapa.
Em 2025, Goiás exportou aproximadamente US$ 1,68 bilhão em mercadorias para a União Europeia. O bloco respondeu por 12,5% de todas as exportações realizadas pelo estado naquele ano.
Entre os setores com maior potencial de crescimento estão os ligados ao agronegócio e à agroindústria. Carnes bovina e de frango, açúcar e etanol aparecem entre os principais produtos que podem ampliar sua participação no mercado europeu. Também estão na lista couro, alimentos processados, biscoitos, ingredientes alimentícios, produtos químicos, gelatinas, máquinas, plásticos, roupas e calçados.
O levantamento da Fieg detalha 40 produtos industriais e agroindustriais, que, juntos, podem representar US$ 87 milhões em exportações adicionais. Outros segmentos industriais, não contemplados individualmente no estudo, podem acrescentar US$ 43 milhões. Já as commodities agrícolas e minerais representam um potencial de mais US$ 78 milhões anuais.
Somados, os três grupos chegam à projeção de US$ 208 milhões em receitas adicionais por ano para Goiás.
A entidade avalia que os produtos que já são comercializados no mercado europeu poderão registrar crescimento tanto no valor das vendas quanto nas quantidades exportadas. Isso porque parte das reduções tarifárias começou a ser aplicada em maio, com novas etapas previstas para os próximos anos.
Além do aumento das exportações, o acordo também poderá ampliar a entrada de mercadorias europeias em Goiás. Conforme o levantamento, as importações estaduais provenientes da União Europeia podem crescer aproximadamente US$ 190 milhões por ano quando as reduções tarifárias brasileiras estiverem concluídas.
Entre os produtos europeus já adquiridos pelo estado estão insumos utilizados pela indústria farmacêutica, especialmente por empresas do polo industrial de Anápolis. Máquinas, equipamentos de transporte e outros produtos também aparecem entre os itens com possibilidade de ampliar a presença no mercado goiano.
O analista da Fieg destaca ainda que a redução das tarifas poderá favorecer a importação de alimentos, vinhos e queijos europeus, ampliando a variedade de produtos disponíveis no mercado regional.
Apesar das perspectivas positivas, a federação ressalta que os números são estimativas e dependem de diferentes fatores econômicos. Alterações nos preços internacionais, nas tendências de consumo e na capacidade das empresas de ampliar sua produção e conquistar compradores podem influenciar os resultados.
A avaliação é que o acordo comercial representa uma oportunidade para fortalecer a presença da indústria e do agronegócio goiano no mercado internacional, ao mesmo tempo em que amplia o acesso das empresas locais a produtos, equipamentos e insumos provenientes da Europa.








