Da Redação

O conhecido prédio redondo do Centro de Goiânia, abandonado há cerca de 30 anos, deve ganhar uma nova destinação e ser transformado em apartamentos para aluguel por temporada. O anúncio foi feito pelo prefeito Sandro Mabel nesta terça-feira (20). O imóvel fica na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, em uma das áreas mais conhecidas da região central da capital.

Segundo o prefeito, um novo grupo de proprietários pretende investir na recuperação do edifício e disponibilizar as unidades por meio da plataforma Airbnb. A iniciativa busca dar uma nova função à construção, que permaneceu inacabada por décadas e passou a gerar preocupações relacionadas à segurança, à higiene e às ocupações irregulares.

Mabel afirmou que avaliações técnicas indicam que a estrutura do prédio apresenta boas condições para a realização das obras. Apesar disso, não foram divulgados detalhes sobre o projeto arquitetônico, o investimento previsto ou a data de início da reforma.

Prefeitura cobra medidas de segurança no imóvel

O prédio abandonado vinha sendo alvo de reclamações de moradores e comerciantes da região devido à falta de manutenção e à presença de pessoas que utilizavam a estrutura como abrigo.

Em outubro, a Prefeitura de Goiânia intensificou a fiscalização no local após registros de problemas de segurança e ocorrências policiais nas proximidades. Os antigos responsáveis pelo imóvel foram autuados duas vezes por não adotarem providências para garantir condições adequadas de conservação.

De acordo com a administração municipal, os proprietários se comprometeram a reforçar os muros, instalar portões e concertinas e implementar medidas de higiene e conservação para reduzir os riscos no entorno.

A Guarda Civil Metropolitana também realizou abordagens na região, enquanto equipes da assistência social ofereceram atendimento e encaminhamentos para pessoas que ocupavam o edifício.

A prefeitura busca, com as medidas, reduzir os problemas provocados pelo abandono da construção até que a recuperação do imóvel seja efetivamente iniciada.

Construção está inacabada desde a década de 1990

O prédio redondo começou a ser planejado em 1991, com um projeto arquitetônico de formato cilíndrico inspirado em um parafuso. A proposta original era abrigar um laboratório de análises clínicas e consultórios médicos.

As obras começaram em 1994, mas foram interrompidas no final de 1995. Desde então, a construção permaneceu inacabada, tornando-se uma das estruturas mais conhecidas pelo abandono prolongado no Centro de Goiânia.

Ao longo dos anos, a falta de utilização e de manutenção contribuiu para a deterioração do espaço e para o surgimento de problemas relacionados à ocupação irregular. A situação também passou a preocupar comerciantes e frequentadores da região.

A possível transformação em apartamentos representa uma tentativa de recuperar a edificação e incorporá-la novamente à dinâmica urbana da capital.

Outros prédios abandonados também estão no radar

Durante o anúncio, Sandro Mabel afirmou que pretende buscar soluções para outros imóveis sem utilização em Goiânia. Entre os exemplos mencionados pelo prefeito está uma construção localizada na esquina da Avenida Assis Chateaubriand com a Avenida Portugal, no Setor Oeste.

Até o momento, porém, não foram detalhadas as medidas que poderão ser adotadas nesse endereço.

A recuperação de imóveis abandonados integra as discussões sobre revitalização do Centro de Goiânia, região que perdeu moradores ao longo das últimas décadas e enfrenta desafios relacionados à conservação de edificações, à segurança e à ocupação dos espaços urbanos.

Programa busca atrair moradores para o Centro

A iniciativa também ocorre em meio à preparação do programa Morar no Centro, criado para incentivar a ocupação residencial da região central. Segundo o prefeito, a regulamentação da proposta está na fase final.

O programa prevê medidas de incentivo à moradia e busca estimular o aproveitamento de imóveis ociosos. A expectativa da administração municipal é ampliar a presença de moradores no Centro e contribuir para movimentar o comércio e os serviços locais.

No caso do prédio redondo, a proposta anunciada é voltada à locação por temporada, e não necessariamente à moradia permanente. A viabilidade do projeto dependerá dos investimentos dos proprietários e da execução das obras, ainda sem cronograma divulgado.

A recuperação do edifício poderá representar uma mudança importante para um imóvel que permaneceu inacabado por três décadas. No entanto, a efetiva revitalização do espaço dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos e do avanço das intervenções anunciadas.