As redes sociais e as plataformas de vídeo ultrapassaram, pela primeira vez, a televisão e os sites e aplicativos de veículos jornalísticos como principal porta de entrada para as notícias em escala global. O dado faz parte da edição de 2026 do Digital News Report, produzido pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford.
De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados nos 48 mercados analisados afirmam utilizar redes sociais e plataformas de vídeo para acompanhar notícias. O percentual supera o registrado por sites e aplicativos de organizações jornalísticas, usados por 51%, e pela televisão, com 52%.
A mudança representa uma transformação no modo como o público chega às informações. Em vez de acessar diretamente o site ou aplicativo de um veículo, cada vez mais pessoas encontram notícias enquanto navegam por redes sociais, assistem a vídeos ou acompanham conteúdos produzidos por criadores.
O relatório aponta que essa tendência vem sendo construída ao longo dos últimos anos. Desde 2020, a utilização da televisão como fonte de notícias caiu 13 pontos percentuais, enquanto o acesso a sites e aplicativos de empresas jornalísticas recuou 12 pontos.
Vídeos ganham espaço no consumo de notícias
O crescimento do vídeo é um dos principais elementos dessa transformação. Segundo o estudo, 77% das pessoas nos mercados pesquisados assistem semanalmente a vídeos de notícias na internet.
Em 45 dos 48 mercados analisados, o consumo de notícias em vídeo pela internet já supera o acompanhamento de telejornais tradicionais. Alemanha, Dinamarca e Holanda aparecem como exceções, onde a televisão permanece à frente ou empatada com o conteúdo jornalístico on-line.
Entre as plataformas utilizadas para acompanhar notícias, o YouTube é usado por 34% dos entrevistados, enquanto o Instagram alcança 26% e o TikTok, 20%. O Facebook continua sendo a plataforma mais utilizada para notícias, com 43%.
O levantamento também aponta que o consumo de notícias por meio de plataformas de terceiros tem aumentado, enquanto o acesso a vídeos diretamente nos sites e aplicativos dos veículos tradicionais apresentou queda.
Redes sociais ganham importância no Brasil
No Brasil, a mudança também é significativa. O relatório aponta que as redes sociais mantêm uma vantagem de nove pontos percentuais sobre a televisão como fonte semanal de notícias.
Mais da metade dos brasileiros utiliza redes sociais para acompanhar informações jornalísticas. O país também apresenta forte presença de influenciadores e criadores de conteúdo no ecossistema de notícias: 33% dos entrevistados afirmam acompanhar conteúdos de criadores ou influenciadores que têm as notícias como principal foco.
O cenário ocorre paralelamente à expansão dos veículos digitais. Segundo o relatório, o número de meios de comunicação exclusivamente on-line cresceu no Brasil em 2025, apesar da redução na proporção de pessoas que pagam por notícias digitais.
O estudo também aponta que a televisão continua buscando novas formas de distribuição. Emissoras tradicionais ampliaram a presença em plataformas digitais, serviços de streaming e televisores conectados para alcançar públicos que deixaram de consumir conteúdo exclusivamente pelos canais tradicionais.
Inteligência artificial começa a mudar o acesso às notícias
Outra tendência destacada pelo relatório é o avanço dos chatbots de inteligência artificial como ferramenta para obter informações jornalísticas.
Em 2026, 10% dos entrevistados nos mercados analisados disseram utilizar chatbots para acompanhar notícias, ante 7% no ano anterior. Entre pessoas com menos de 35 anos, o percentual chega a 16%.
A utilização ainda é menor que a das redes sociais e plataformas de vídeo, mas o relatório aponta que a inteligência artificial pode alterar novamente a forma como o público encontra e interpreta informações.
Entre os usuários de IA para notícias, uma das funções mais valorizadas é a possibilidade de fazer perguntas adicionais sobre determinado assunto. Isso permite que o usuário peça explicações, contexto ou esclarecimentos a partir de uma informação inicial.
Mudança também traz desafios
A migração do consumo de notícias para plataformas digitais amplia o alcance potencial dos conteúdos, mas também modifica a relação entre público e veículos de comunicação.
Nas redes sociais, o usuário pode receber informações de diferentes veículos, influenciadores e criadores no mesmo ambiente, sem necessariamente acessar diretamente a página da organização responsável pela notícia.
O relatório destaca ainda o crescimento das preocupações relacionadas à confiança nas notícias, à desinformação e ao impacto das próprias plataformas sobre o ecossistema jornalístico.
Para os veículos tradicionais, o cenário aumenta a necessidade de adaptação a formatos como vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos desenvolvidos especificamente para redes sociais. Ao mesmo tempo, as empresas precisam disputar a atenção do público em ambientes nos quais o conteúdo jornalístico divide espaço com entretenimento, publicidade e produções de criadores independentes.
A edição de 2026 do Digital News Report foi baseada em pesquisas com consumidores de notícias em 48 mercados. Os dados apresentados representam o uso declarado pelos entrevistados para acessar informações e não correspondem necessariamente à audiência total de cada emissora, veículo ou plataforma.







