No coração da Amazônia, um esforço colaborativo entre pesquisadores e comunitários visa preservar a vida aquática da região, em especial os botos. O projeto intitulado “Lagos Sentinelas da Amazônia”, gerido pelo Instituto Mamirauá, mobiliza mais de 200 ribeirinhos de 52 comunidades locais, focando na monitorização dos lagos e rios da área. Sensores, imagens de satélite e estações meteorológicas são utilizados para coletar dados sobre a temperatura, os níveis e a qualidade da água, assim como para avaliar as condições climáticas.
A monitorização abrange lagos importantes como Tefé, Coari, Janauacá e Serpa, enquanto um quinto lago sob observação está localizado no Pará. Durante o período de seca em 2023, a pesquisa revelou uma mortalidade alarmante: 330 botos das espécies cor-de-rosa e tucuxi foram encontrados mortos na região.
A pesquisadora Ilda Chaves, do Instituto Mamirauá, enfatiza a importância do monitoramento contínuo. Ela explica que:
“Realizamos vistorias duas vezes por semana, partindo da base flutuante do Instituto Mamirauá. A jornada vai até a cabeceira do Tefé e, em seguida, retornamos pela cidade até a saída do Solimões. O propósito é localizar possíveis carcaças de botos para realizar necropsias e compreender as causas da mortalidade.”
Além da monitorização, o projeto analisa o comportamento dos botos, incluindo suas atividades e interações sociais. Recentemente, doze botos cor-de-rosa receberam transmissores por satélite que possibilitam o rastreamento de seus movimentos e reações às mudanças ambientais.
O intensificado monitoramento não sugere que haverá uma nova onda de mortes em 2026, mas visa estar preparado para responder rapidamente caso surjam indicativos de risco.
Fonte: Acontece no País




