Jovem de 24 anos foi encontrada acorrentada e amordaçada em imóvel; ex-companheiro foi preso e teve prisão convertida em preventiva
Da Redação
Uma mulher de 24 anos foi resgatada após passar cinco dias mantida em cativeiro, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Emiliane Tamara Nunes Carvalho foi encontrada na sexta-feira (21), acorrentada a uma cama dentro de uma residência no Setor Jardim América III. O ex-companheiro dela, Ailton Rodrigues de Souza, foi preso em flagrante.
O caso envolve suspeitas de sequestro, cárcere privado, agressões físicas e violência sexual. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias do crime, as motivações do suspeito e o que ele pretendia fazer caso a vítima não tivesse sido localizada.
Relacionamento havia terminado em 2025
Emiliane e Ailton têm dois filhos. Segundo a jovem, os dois se conheceram em 2020, quando ela ainda era adolescente, e se casaram quando ela tinha 18 anos.
O relacionamento chegou ao fim em dezembro de 2025. Emiliane relatou que, durante a convivência, o então companheiro mantinha comportamento controlador, interferindo em aspectos como amizades, horários e até no local onde ela praticava atividades físicas.
Encontro teria sido marcado antes do desaparecimento
Emiliane desapareceu na segunda-feira (17). Uma câmera de segurança de uma clínica localizada no Jardim Barragem I registrou a jovem caminhando em direção ao Setor 10. A gravação foi uma das últimas imagens conhecidas dela antes do resgate.
Conforme o relato da vítima, ela havia combinado um encontro com o ex-companheiro para conversar sobre uma audiência que ocorreria no dia seguinte e trataria de questões relacionadas à pensão alimentícia dos filhos.
Emiliane foi até uma distribuidora administrada por Ailton. Segundo ela, o ex-companheiro teria sugerido uma reconciliação. A jovem afirma que, posteriormente, foi levada para um cômodo nos fundos do estabelecimento e dopada.
Depois disso, Emiliane teria sido transportada até o imóvel onde permaneceu presa pelos cinco dias seguintes. A vítima acredita que toda a situação havia sido previamente preparada.
Vítima foi encontrada presa por correntes, cordas e algemas
Em depoimento após o resgate, Emiliane afirmou que permaneceu acorrentada durante praticamente todo o período. As mãos eram soltas apenas quando precisava se alimentar.
De acordo com a Polícia Militar, no momento em que foi encontrada, a jovem estava amordaçada e tinha braços, pernas e pescoço presos com diferentes objetos, entre eles cordas, correntes e algemas.
A vítima apresentava dificuldade para respirar e sinais de baixa oxigenação. Ela também relatou aos policiais ter sido agredida fisicamente e submetida a violência sexual durante o período em que permaneceu em cárcere.
Dentro da residência, os policiais encontraram ainda estoque de água e alimentos. Para a corporação, a quantidade levantou a possibilidade de que o suspeito planejasse manter a vítima no imóvel por um período ainda maior.
Uma pistola calibre 9 milímetros também foi apreendida durante a operação.
Mudança na rotina do suspeito chamou atenção
As buscas começaram depois que familiares procuraram as autoridades e comunicaram o desaparecimento de Emiliane.
Durante as diligências, policiais identificaram alterações na rotina de Ailton, entre elas o fato de ele ter deixado de comparecer ao trabalho. A situação aumentou as suspeitas em torno do ex-companheiro.
As equipes chegaram então a uma residência que havia sido alugada pelo homem. Conforme a Polícia Militar, o imóvel estava cercado por tapumes e apresentava proteções na parte externa.
Durante a averiguação, os militares ouviram barulhos vindos de dentro da casa e entraram no local. Emiliane foi localizada em um dos quartos, acorrentada e amordaçada.
A jovem foi retirada da residência e recebeu atendimento. Ailton acabou preso em flagrante.
Carta encontrada no imóvel é investigada
Outro elemento que passou a integrar a investigação foi uma carta escrita à mão por Emiliane durante o período em que permaneceu presa.
O texto era direcionado à família e apresentava orientações relacionadas a bens, além de indicar que os familiares não deveriam procurar a polícia. Há suspeita de que a jovem tenha sido coagida a produzir ou assinar o documento.
A investigação tenta determinar exatamente em quais circunstâncias a carta foi elaborada e qual seria a finalidade pretendida pelo suspeito.
Justiça mantém suspeito preso
Após a prisão em flagrante, Ailton passou por audiência de custódia no sábado (22). A Justiça decidiu converter a detenção em prisão preventiva.
A defesa solicitou liberdade provisória, mas o pedido foi negado. A avaliação judicial foi de que outras medidas cautelares não seriam suficientes diante das circunstâncias apresentadas no caso.
Durante a audiência, Ailton alegou ter sofrido pressão psicológica durante a atuação policial e informou que faz uso de medicamentos calmantes por enfrentar o que classificou como crises nervosas. Ele também declarou ser Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e afirmou que a arma encontrada estava guardada.
Emiliane relata recuperação após resgate
Depois de ser localizada, Emiliane utilizou as redes sociais para agradecer às pessoas que ajudaram nas buscas e compartilhar informações sobre o período em que esteve desaparecida.
A jovem relatou que ainda enfrenta as consequências físicas e emocionais do episódio e afirmou ter sofrido agressões que teriam envolvido produtos químicos.
Ela também comentou sobre a dificuldade de lidar com os filhos após retornar para casa. Por serem crianças, eles passaram a questionar os ferimentos visíveis no corpo da mãe. Emiliane pediu ainda que comentários sobre o crime sejam evitados na presença deles.
Polícia ainda apura motivação e possíveis planos do suspeito
Apesar da prisão e do resgate, pontos importantes do caso permanecem sob investigação.
As autoridades buscam esclarecer a motivação do crime e determinar quais seriam os planos do suspeito caso Emiliane não tivesse sido localizada pela polícia.
Outro ponto ainda sem resposta definitiva envolve a carta encontrada no cativeiro. A investigação tenta descobrir por que o documento foi produzido e o que Ailton pretendia fazer a partir das instruções registradas nele.
O caso permanece sob investigação da Polícia Civil de Goiás.





