Da Redação
Uma pesquisa coordenada pelo Hospital Israelita Einstein consolidou as principais evidências científicas sobre hepatites virais produzidas no Brasil na última década. Publicado na revista científica PLOS ONE, o estudo analisou informações de mais de 14,5 milhões de pessoas e apresenta um panorama da ocorrência das hepatites dos tipos A, B, C, D e E em diferentes regiões e grupos populacionais do país.
O levantamento faz parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido pelo Einstein por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Ao todo, foram avaliados 200 estudos científicos publicados entre 2013 e 2024, reunindo dados que podem orientar políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento dessas doenças.
De acordo com os pesquisadores, as hepatites B e C concentram a maior parte da produção científica nacional. O estudo também reuniu informações relevantes sobre os demais tipos da doença, permitindo uma visão mais ampla da distribuição das infecções em território brasileiro.
Entre os principais resultados, a hepatite A apresentou soroprevalência variando entre 33,3% e 67,8% na população geral. A pesquisa também confirmou a concentração histórica dos casos de hepatite D na região Amazônica e identificou evidências da circulação da hepatite E em diferentes estados brasileiros.
Segundo o coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, o Brasil tem registrado avanços importantes no combate às hepatites virais, especialmente com a ampliação da vacinação, do acesso ao diagnóstico e dos tratamentos disponíveis. Para ele, a organização das evidências produzidas no país fortalece a base científica utilizada na formulação de estratégias de saúde pública e na tomada de decisões.
Além de reunir os dados disponíveis, os pesquisadores criaram um mapa do conhecimento sobre hepatites virais no Brasil. A ferramenta deverá servir de apoio para gestores públicos, profissionais da saúde e pesquisadores na elaboração de ações voltadas ao cumprimento da meta de eliminação dessas doenças como problema de saúde pública até 2030.
O diretor executivo de Responsabilidade Social e Filantropia do Einstein, Felipe Piza, destacou que a iniciativa reforça o compromisso da instituição com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, transformar evidências científicas em subsídios para políticas públicas amplia a capacidade do país de enfrentar desafios relacionados às hepatites virais e outras questões de saúde coletiva.
A coordenadora-geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Tiemi Arakawa, afirmou que estudos dessa dimensão são fundamentais para direcionar as ações de vigilância epidemiológica e assistência no SUS. Ela ressaltou que o uso de dados científicos permite concentrar esforços onde há maior necessidade, especialmente entre populações em situação de vulnerabilidade, contribuindo para ampliar a equidade no acesso ao cuidado e acelerar o cumprimento da meta de eliminação das hepatites virais.
Sobre o Proadi-SUS
Criado em 2009, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) apoia o Ministério da Saúde por meio de projetos voltados à pesquisa, capacitação de profissionais, incorporação de tecnologias, avaliação de serviços, gestão e assistência especializada.
Atualmente, o programa reúne sete hospitais filantrópicos de referência nacional: A.C. Camargo Cancer Center, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Hcor, Hospital Israelita Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês. Os recursos utilizados pelo programa são provenientes da imunidade fiscal concedida às instituições participantes e são destinados ao desenvolvimento de iniciativas voltadas ao fortalecimento do SUS.








