A REDAÇÃO

Consumido há milhares de anos e presente em diferentes culturas ao redor do mundo, o chá guarda histórias que vão muito além do hábito de preparar uma bebida quente. Da espionagem internacional ao uso como moeda, a trajetória da Camellia sinensis reúne fatos curiosos que ajudam a explicar por que o chá continua despertando interesse de pesquisadores, chefs e apreciadores.

Durante a Semana da Cultura do Chá 2026, realizada até 9 de agosto em Goiânia, parte dessas histórias será apresentada ao público por meio de oficinas, experiências sensoriais e atividades gastronômicas.

Nem toda infusão é, de fato, um chá

Embora seja comum chamar qualquer bebida preparada com ervas de chá, tecnicamente isso não está correto. Apenas as bebidas produzidas a partir da Camellia sinensis recebem essa classificação.

É dessa única planta que surgem variedades como chá verde, preto, branco, amarelo, oolong e escuro. As diferenças entre elas estão no processamento das folhas, responsável por criar sabores e aromas bastante distintos, que podem lembrar flores, frutas, castanhas, mel, manteiga, fumaça e até milho tostado.

A bebida já foi usada como dinheiro

Antes de circular apenas em xícaras, o chá também teve valor econômico. Durante séculos, blocos de chá prensado foram utilizados como moeda em regiões da China, do Tibete e da Mongólia, servindo tanto para o comércio quanto para o pagamento de tributos.

Outro episódio marcante da história da bebida ocorreu no século XIX, quando um botânico britânico viajou secretamente à China para descobrir os métodos de cultivo e produção do chá. As informações obtidas ajudaram a impulsionar a indústria da bebida na Índia, em uma das operações de espionagem botânica mais conhecidas da história.

O chá também pode estar no queijo, no pão e até na cerveja

A versatilidade do ingrediente vai muito além da bebida. Durante a Semana da Cultura do Chá, o público poderá experimentar mais de 30 preparações gastronômicas que utilizam diferentes variedades da planta como ingrediente.

Entre as opções estão pães, manteigas, chocolates, sorvetes, cafés, kombuchas, sobremesas, queijos maturados e uma cerveja produzida com Milky Oolong, variedade conhecida pelas notas naturalmente amanteigadas.

A programação também explora a harmonização do chá com alimentos, além de experiências que mostram como fatores como aroma, temperatura, iluminação, música e memória podem influenciar a percepção dos sabores.

Ao reunir gastronomia, cultura, história e experiências sensoriais, o evento reforça que o chá é muito mais do que uma bebida: trata-se de um patrimônio cultural que atravessou séculos, influenciou economias e continua despertando novas formas de consumo ao redor do mundo.