Da Redação
A chegada da PrEP injetável à prevenção do HIV é considerada um dos maiores avanços recentes no combate ao vírus. Com eficácia próxima de 100% e aplicação semestral, o medicamento lenacapavir vem sendo celebrado por especialistas por ampliar a proteção e facilitar a adesão ao tratamento preventivo, principalmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário da PrEP em comprimidos.
Os resultados apresentados durante a Conferência Internacional sobre AIDS 2026 mostraram que cerca de 97% dos participantes optaram por permanecer utilizando a versão injetável em vez da medicação oral. Além disso, aproximadamente 78% dos voluntários que aderiram ao lenacapavir nunca haviam utilizado a PrEP anteriormente, indicando que a nova tecnologia pode alcançar públicos que antes não buscavam essa forma de prevenção.
Apesar do entusiasmo, infectologistas alertam que o medicamento protege exclusivamente contra o HIV. O uso da PrEP não impede a transmissão de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia, clamídia, herpes genital e HPV. Por isso, o preservativo continua sendo apontado como uma ferramenta indispensável para uma proteção sexual mais ampla.
Especialistas observam que a crescente confiança na eficácia da PrEP tem levado parte da população a abandonar o uso da camisinha, comportamento que preocupa autoridades de saúde devido ao aumento dos casos de outras ISTs em diversos países. Segundo médicos, a combinação entre PrEP, preservativo e exames periódicos continua sendo a estratégia mais segura para reduzir os riscos de infecção.
Outro benefício destacado é a praticidade do tratamento. Enquanto a PrEP tradicional exige ingestão diária do medicamento, o lenacapavir é administrado apenas duas vezes ao ano, o que reduz as chances de esquecimento e melhora a continuidade da prevenção. Estudos internacionais apontaram elevada adesão ao esquema injetável e baixíssimo número de novas infecções entre os participantes acompanhados nas pesquisas.
Embora o medicamento já tenha sido aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ele ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Também não há definição sobre o preço para comercialização no mercado brasileiro, fator que pode limitar o acesso até que políticas públicas de incorporação sejam implementadas.
Para os especialistas, a PrEP injetável representa um avanço significativo na prevenção do HIV, mas seu sucesso dependerá de campanhas de conscientização que reforcem a importância da prevenção combinada. A expectativa é que a inovação contribua para reduzir novos casos da infecção sem comprometer o combate às demais infecções sexualmente transmissíveis.






