RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta sexta-feira (24) o bloqueio de bens de até R$ 481,5 milhões da gestora de recursos Acura e de dois diretores, em uma tentativa de garantir o resgate de investimento do Rioprevidência no fundo Revolution, ligado ao Banco Master.

A decisão é assinada pela juíza Aline Maria Gomes Massoni da Costa, da 10ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense.

A medida atende a um pedido do governo do Rio de Janeiro e do Rioprevidência, que é o responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.

Conforme as informações do processo, o órgão previdenciário investiu R$ 481,5 milhões no fundo Revolution, sob administração da Master Corretora e gestão da Acura, a partir de 23 de maio de 2025.

O resgate tem liquidação prevista para 17 de agosto de 2026, mas a análise do governo estadual identificou dúvidas sobre a capacidade da carteira de gerar resultados.

Em sua decisão, a juíza determinou o bloqueio de valores da Acura e dos diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra.

A Folha procurou a gestora e os executivos por volta das 14h20 deste sábado por meio de um email de assessoria de imprensa que consta no site da instituição.

A reportagem foi informada de que o atendimento mudou, e o pedido de manifestação foi reencaminhado para a área de compliance da Acura. Não houve retorno até a publicação deste texto.

A decisão judicial desta sexta determinou que a Master Corretora, atualmente em liquidação extrajudicial, seja proibida de adotar providências para retardar o resgate do investimento solicitado pelo Rioprevidência.

A juíza também estabeleceu a apresentação, em até 15 dias, de parecer de auditoria externa independente em relação ao fundo Revolution.

A Folha procurou por email a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas não teve retorno. A solicitação de posicionamento foi enviada pela reportagem pouco antes das 14h50 deste sábado.

Esta é a segunda decisão favorável obtida nesta semana pelo governo do Rio de Janeiro e pelo Rioprevidência no caso Master.

Na quinta-feira (23), a Justiça determinou o bloqueio de bens para garantir a recuperação de até R$ 135,2 milhões perdidos em investimentos em outro fundo, o Texas I FIA.

O Rioprevidência virou alvo de investigações da PF (Polícia Federal) por aportes bilionários em ativos ligados ao Master durante o governo de Cláudio Castro (PL).

Castro renunciou ao cargo de governador em março e foi substituído de modo interino pelo desembargador Ricardo Couto.

A gestão de Couto tem anunciado trocas de nomes e mudanças na estrutura do Rioprevidência após a explosão do escândalo do Master.