SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,20% nesta sexta-feira (17), cotado a R$ 5,110, com investidores ainda repercutindo o anúncio de que os Estados Unidos irão impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e a possibilidade de o Brasil retaliar a medida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,06%, aos 173.714 pontos, após oscilar ao longo do dia. O índice foi parcialmente sustentado pela valorização das ações da Petrobras, que subiram 2,53%, acompanhando a alta dos preços do petróleo.
Segundo Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, a dinâmica dos mercados ao longo da sessão foi influenciada pela ausência de sinais de uma trégua diplomática e pelo receio de uma escalada protecionista.
De acordo com a analista, o aumento da aversão global ao risco penalizou as moedas de países emergentes e exportadores de commodities, intensificando a busca dos investidores pelo dólar.
Em Wall Street, as bolsas fecharam em queda, refletindo o balanço negativo da Netflix. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o resultado aumenta a aversão ao risco e pode contaminar os mercados emergentes, incluindo o brasileiro.
O S&P 500 caiu 1,05%, o Nasdaq recuou 1,40% e o Dow Jones teve queda de 0,77%.
O mercado americano também foi pressionado pelas ações de empresas de chips e semicondutores, que caminham para registrar a pior semana desde a derrocada provocada pelo “Dia da Libertação”, no ano passado. Investidores vêm reduzindo posições em algumas das companhias que mais se beneficiaram do boom da inteligência artificial nos últimos meses.
Ainda em meio aos desdobramentos do tarifaço, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos EUA.
Também nesta sexta, durante agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que só comentará o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil depois que o presidente Donald Trump se manifestar sobre o tema.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira.”, disse.
Os investidores também seguem acompanhando o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio. Na manhã desta sexta, os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeios contra o Irã, atingindo pontes e um aeroporto. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases americanas em todo o Oriente Médio. Uma usina de energia e dessalinização no Kuwait também foi atingida pelo Irã.
No estreito de Hormuz, onde a retomada do conflito voltou a interromper parte do fornecimento global de energia, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque, enquanto outra embarcação teria sido atingida por um projétil.
Às 17h15, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 87, com alta de 4,31%.
Os investidores também acompanharam a divulgação do índice de confiança do consumidor nos EUA que atingiu em julho o maior nível em cinco meses. Apesar da melhora, economistas avaliam que o avanço pode ser temporário, já que a intensificação do conflito no Oriente Médio tem pressionado os preços da gasolina.
No Brasil, o cenário doméstico também foi influenciado por novos dados sobre a atividade econômica. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), avançou 0,1% em maio na comparação com abril.
O resultado veio acima das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam estabilidade para o indicador no período.
Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital, afirma que o resultado do IBC-Br reforça a percepção de que a economia brasileira segue aquecida, reduzindo as chances de uma nova flexibilização da política monetária.
No Brasil, o mercado de juros futuros encerrou a sessão em altas firmes. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 fechou em 14,1%, alta de 0,2 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 encerrou o dia em 14,585%, avanço de 0,17 ponto percentual.
Já o rendimento da Treasury de dez anos recuou 0,02 ponto percentual, para 4,549%. Nesta sessão, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu 0,60%, aos 100,76 pontos.
Bento afirma que, após uma semana de perdas na Bolsa, o mercado pode iniciar a próxima semana em recuperação. Segundo ele, a agenda econômica será mais esvaziada, e as atenções devem se voltar às negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas e às tratativas entre Estados Unidos e Irã em busca de um acordo para encerrar o conflito.


