O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante agenda nos Estados Unidos, que uma eventual adoção de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros neste momento teria como principal efeito fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o parlamentar, o cenário atual é o “pior momento possível” para a implementação da medida.
A declaração foi dada durante uma audiência realizada em Washington, da qual também participou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. O encontro ocorreu em meio às discussões envolvendo a possibilidade de os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros e ao acirramento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Durante sua manifestação, Flávio argumentou que uma decisão imediata da administração norte-americana acabaria sendo utilizada pelo governo brasileiro como instrumento político, fortalecendo o discurso de defesa da soberania nacional e beneficiando Lula eleitoralmente.
Segundo o senador, a imposição das tarifas neste momento poderia gerar um efeito contrário ao desejado pelos defensores da medida, favorecendo o presidente brasileiro em vez de enfraquecê-lo politicamente.
Pedido para adiar decisão
Flávio Bolsonaro voltou a defender que qualquer decisão sobre novas tarifas seja adiada por cerca de 180 dias, ultrapassando o período eleitoral brasileiro. Na avaliação dele, um eventual novo governo teria condições de reabrir negociações e construir uma relação comercial mais favorável entre Brasil e Estados Unidos.
O senador também negou que tenha incentivado sanções econômicas contra o Brasil. Segundo ele, sua atuação junto às autoridades norte-americanas busca justamente evitar prejuízos econômicos ao país, preservando as exportações brasileiras e reduzindo impactos para empresas e trabalhadores.
Críticas do governo brasileiro
A viagem da família Bolsonaro aos Estados Unidos intensificou o embate político com o Palácio do Planalto. Integrantes do governo Lula passaram a acusar o grupo de atuar internacionalmente em favor de medidas que poderiam prejudicar a economia brasileira.
Nos bastidores, auxiliares do presidente avaliam que Flávio tenta se desvincular da responsabilidade política pelas discussões envolvendo as tarifas e reduzir o desgaste provocado pelo tema durante a pré-campanha presidencial de 2026.
Tarifaço domina disputa política
O debate sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos tornou-se um dos principais temas da corrida presidencial brasileira. Enquanto o governo federal classifica as medidas como uma afronta à soberania nacional e defende negociações diplomáticas, aliados da oposição afirmam que mudanças na condução da política externa e econômica poderiam facilitar um entendimento entre os dois países.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro sustenta que a adoção imediata das tarifas acabaria fortalecendo Lula perante o eleitorado, razão pela qual considera este o momento menos adequado para que a medida entre em vigor.








