Da Redação
O ex-pastor Davi Passamani, investigado por denúncias de assédio sexual e afastado da liderança da Igreja Casa desde 2023, ingressou com uma ação na Justiça de Goiás acusando a atual administração da instituição de promover um suposto esvaziamento patrimonial. Segundo a defesa, o objetivo do processo não é recolocá-lo na presidência da igreja, mas apurar possíveis irregularidades na gestão financeira e administrativa da entidade.
A ação, protocolada em 25 de junho, questiona a criação de um novo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para a Igreja Casa. Conforme a defesa, a arrecadação de doações teria sido direcionada para essa nova pessoa jurídica, enquanto o antigo CNPJ, ligado à Casa Ministério Cristão, permaneceu responsável pelas dívidas acumuladas pela instituição. O processo também aponta supostas irregularidades envolvendo os royalties da banda Casa Worship e uma possível confusão patrimonial entre empresas e pessoas ligadas à atual administração.
Os advogados de Passamani alegam que a gestão atual é composta por integrantes do antigo núcleo familiar do pastor e sustentam que houve transferência indevida de patrimônio de uma entidade sem fins lucrativos. Como exemplo, a defesa afirma que a receita da igreja teria caído de cerca de R$ 5,5 milhões em 2023 para aproximadamente R$ 288 mil em 2025, enquanto a instituição enfrenta uma ação de despejo por uma dívida de aluguel estimada em R$ 730 mil.
Outro ponto levantado na ação diz respeito à venda da banda Casa Worship para a Warner Music, realizada em 2025. Segundo a defesa, a negociação teria ultrapassado R$ 10 milhões, mas os valores não teriam sido devidamente registrados na contabilidade da igreja. Além disso, o processo afirma que cerca de R$ 1,3 milhão em royalties da banda permaneceram em uma empresa ligada à pastora Giovanna Lovaglio, ex-esposa de Passamani, sem o devido repasse à instituição religiosa.
Com base nessas alegações, a defesa solicita à Justiça o afastamento da atual diretoria, a nomeação de um administrador provisório, o bloqueio de bens e ativos dos gestores envolvidos, além do rastreamento dos recursos provenientes da negociação da banda. O processo também pede que o caso seja encaminhado ao Ministério Público de Goiás para investigação.
Em nota, a atual diretoria da Igreja Casa negou todas as acusações. A instituição afirmou que as denúncias são infundadas e atribuiu a queda na arrecadação ao afastamento de fiéis após as denúncias envolvendo Davi Passamani. A igreja também informou que trabalha para quitar dívidas herdadas da administração anterior, mantém documentação contábil que comprovaria a regularidade da gestão e realiza uma auditoria independente. Ainda segundo a nota, não houve desvio de royalties, e a criação de um novo CNPJ marcou apenas uma nova fase administrativa da instituição. A direção acrescentou que adotará as medidas judiciais cabíveis em razão das declarações do ex-pastor.








