Da Redação
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, criticou as declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sobre a possibilidade de promover uma ampla privatização de empresas estatais. Segundo Caiado, defender a venda generalizada de companhias públicas sem uma análise detalhada dos impactos econômicos e sociais representa uma visão simplista e pouco fundamentada.
A divergência surgiu após Zema voltar a defender a privatização de empresas estatais como parte de sua estratégia econômica. O governador mineiro já manifestou diversas vezes a intenção de transferir para a iniciativa privada companhias como a Cemig, a Copasa, o BDMG e a Codenge, argumentando que a medida ajudaria a equilibrar as contas públicas e reduzir o peso do Estado na economia.
Ao comentar a proposta, Caiado afirmou que discutir privatizações exige estudos técnicos aprofundados e avaliação caso a caso. Para ele, não é possível adotar uma política de venda de ativos públicos de forma indiscriminada, sem considerar a relevância estratégica de determinadas empresas para o desenvolvimento regional e nacional.
O governador goiano destacou que algumas estatais exercem funções essenciais em áreas como energia, saneamento, infraestrutura e financiamento ao desenvolvimento econômico. Segundo ele, a análise sobre eventual privatização deve levar em conta não apenas questões fiscais, mas também os efeitos sobre a população, a competitividade econômica e a capacidade de investimento do poder público.
Caiado também argumentou que o debate não pode ser conduzido apenas por critérios ideológicos. Na avaliação do governador, cada empresa possui características próprias, exigindo estudos específicos sobre viabilidade, retorno financeiro, prestação de serviços e interesse público antes de qualquer decisão.
As declarações evidenciam diferenças entre os dois governadores, frequentemente apontados como possíveis nomes da centro-direita para a disputa presidencial. Enquanto Zema defende uma agenda mais ampla de desestatização, Caiado tem adotado um discurso mais cauteloso, defendendo que decisões sobre ativos públicos sejam baseadas em análises técnicas e resultados concretos.
Nos últimos anos, Zema reforçou diversas vezes sua intenção de privatizar empresas estatais mineiras, alegando que a medida pode contribuir para o ajuste fiscal do estado e para a redução da dívida com a União. O governador mineiro afirma que busca apoio da Assembleia Legislativa para avançar com os projetos de desestatização.
O posicionamento de Caiado ocorre em meio ao fortalecimento das articulações políticas para as eleições de 2026. Embora compartilhem pautas econômicas semelhantes em diversos temas, os dois governadores demonstram diferenças importantes quanto ao papel do Estado em setores considerados estratégicos, ampliando o debate sobre os rumos da gestão pública e das políticas de desenvolvimento econômico no país.





