A recuperação da área do lixão de Padre Bernardo entra em uma nova fase um ano após o desabamento de 42 mil metros cúbicos de resíduos sólidos que atingiu o córrego Santa Bárbara. Com a situação emergencial sob controle, os trabalhos agora se concentram no encerramento definitivo do empreendimento e na elaboração das medidas necessárias para a recuperação de longo prazo da área degradada.

O desastre ocorreu em 18 de junho de 2025 no lixão privado da empresa Ouro Verde, localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Descoberto. O colapso da massa de resíduos provocou contaminação ambiental e mobilizou uma ampla operação envolvendo órgãos ambientais, equipes de emergência e instituições de fiscalização.

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Como começou a recuperação da área do lixão de Padre Bernardo?

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) foi informada sobre o desabamento ainda nas primeiras horas após o acidente e instituiu um gabinete de crise com participação da Defesa Civil, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, órgãos de saneamento e autoridades de saúde.

A prioridade era impedir que a contaminação alcançasse o Rio Descoberto, responsável pelo abastecimento de milhares de famílias da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride).

Moradores foram alertados por agentes da Defesa Civil e por mensagens de celular para interromper o uso da água do córrego Santa Bárbara e do Rio do Sal em atividades como agricultura, piscicultura e avicultura. A restrição permanece em vigor.

Análises realizadas por técnicos da Semad confirmaram a contaminação da água por chorume proveniente dos resíduos, com indícios da presença de metais pesados.

Ações emergenciais evitaram avanço da contaminação

Diante da gravidade da situação, a Semad determinou novo embargo cautelar do empreendimento e apreendeu cinco máquinas utilizadas na operação do lixão.

Sem um plano imediato de contenção apresentado pela empresa, a secretaria e os demais órgãos do gabinete de crise executaram ações emergenciais para reduzir os impactos ambientais.

Entre as medidas adotadas estavam:

  • Transposição provisória do córrego Santa Bárbara;
  • Construção de barreiras de contenção;
  • Abertura de acessos para retirada dos resíduos;
  • Monitoramento contínuo da qualidade da água.

Os trabalhos mobilizaram equipes da Semad, ICMBio, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Prefeitura de Padre Bernardo, inclusive em áreas de difícil acesso.

Poucos dias após o desabamento, um incêndio atingiu uma das áreas do lixão e exigiu uma operação de combate às chamas sob supervisão do Corpo de Bombeiros.

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TAC definiu medidas para recuperação da área

Em 07 de julho de 2025, a Semad reuniu representantes da Ouro Verde e dos órgãos envolvidos na operação. Na ocasião, a empresa informou que passaria a executar as medidas necessárias para reparação ambiental da área.

Para formalizar os compromissos, foi proposto um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que estabeleceu prazos, responsabilidades e metas a serem cumpridas.

Entre as obrigações previstas estão:

  • Retirada dos resíduos que atingiram o córrego Santa Bárbara;
  • Implantação de novas estruturas de contenção;
  • Construção de uma nova lagoa de chorume;
  • Monitoramento contínuo da qualidade da água;
  • Criação de canais de atendimento à população afetada;
  • Medidas para garantir o abastecimento hídrico das propriedades impactadas.

Desde então, a Semad acompanha permanentemente a execução das ações. Ao longo dos últimos 12 meses, foram realizadas cerca de 35 operações de fiscalização presencial.

A reincidência de irregularidades e atrasos no cumprimento de metas resultaram em três novos autos de infração. Somadas às penalidades anteriores, as multas aplicadas ao empreendimento já alcançam aproximadamente R$ 56 milhões.

Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 17,1 milhões em bens dos proprietários.

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Qual é a situação atual da área do lixão?

Um ano após o desastre, a situação emergencial encontra-se sob controle. O empreendimento permanece interditado e proibido de receber novos resíduos.

Segundo o gerente de Prevenção de Acidentes Ambientais da Semad, Sayro Reis, a gestão do chorume armazenado está em fase estável. As lagoas 2 e 4 operam com volumes inferiores a 50% da capacidade. A lagoa 3 também está abaixo desse limite, mas passa por manutenção no revestimento protetor exigida pela fiscalização.

O principal ponto de atenção continua sendo a lagoa 5, que permanece com nível elevado, próximo ao limite de armazenamento.

Os maciços de resíduos já foram cobertos. Também não há registros de odores fora do comum, proliferação significativa de vetores ou riscos iminentes de novos deslizamentos.

Próximos passos para recuperação da área do lixão de Padre Bernardo

A próxima etapa dos trabalhos consiste no encerramento definitivo do lixão. Para isso, a Semad finaliza um Termo de Referência que servirá de base para a elaboração do Plano de Encerramento do empreendimento. O documento deverá ser elaborado pela empresa e aprovado pelo órgão ambiental.

Entre as medidas previstas estão:

  • Elaboração de Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD);
  • Estudos e diagnósticos ambientais;
  • Gestão permanente do chorume;
  • Controle dos gases gerados pelos resíduos;
  • Monitoramento contínuo das condições ambientais e geotécnicas da área.

A expectativa da Semad é que a recuperação completa da área exija acompanhamento por décadas para garantir a estabilidade do terreno e evitar novos impactos ambientais.

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Fonte: Agência Cora