Da Redação

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual e tornou réus a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e outros investigados por suposto envolvimento em um esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau e representa um novo desdobramento da Operação Vérnix, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Além de receber a denúncia, o juiz responsável pelo caso negou um pedido da defesa de Deolane para que a influenciadora fosse transferida para uma Sala de Estado-Maior ou tivesse a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar. A magistratura entendeu que a unidade prisional onde ela está custodiada possui condições adequadas para sua permanência.

Investigação aponta movimentação de recursos ligados ao PCC

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou um esquema destinado a ocultar e dissimular a origem de recursos supostamente vinculados à facção criminosa. Os promotores sustentam que familiares e pessoas próximas a integrantes do PCC utilizavam uma empresa do setor de transportes para movimentar valores obtidos ilegalmente e inseri-los na economia formal com aparência de legalidade.

De acordo com a denúncia, parte desses recursos teria sido destinada a Deolane Bezerra e a outros investigados. Relatórios de inteligência financeira, além de análises bancárias e fiscais, teriam identificado movimentações consideradas incompatíveis e mecanismos voltados à ocultação da origem do dinheiro.

A Operação Vérnix apura a existência de uma estrutura organizada que teria atuado na lavagem de capitais associados à facção criminosa. Conforme os investigadores, a rede envolvia empresas, familiares de integrantes do PCC e operadores financeiros responsáveis por realizar transações destinadas a dificultar o rastreamento dos valores.

Quem são os denunciados

Além de Deolane e Marcola, também passaram à condição de réus Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola. Todos responderão às acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, os investigados teriam desempenhado diferentes funções dentro do esquema financeiro que permitia a circulação dos recursos e sua posterior integração ao sistema econômico formal. A acusação sustenta que a estrutura operava de maneira coordenada para ocultar a verdadeira origem dos valores.

Defesa contesta acusações

Os advogados de Deolane Bezerra negam qualquer envolvimento da influenciadora com atividades criminosas. A defesa argumenta que ela não integra organização criminosa e afirma que ainda busca acesso integral aos autos para apresentar sua versão dos fatos.

Já os representantes legais de Marcola e dos demais denunciados também contestam as acusações. Em manifestações encaminhadas à imprensa, os advogados afirmam que o patrimônio e os recursos financeiros mencionados pela investigação possuem origem lícita e que as acusações não seriam sustentadas por provas suficientes para demonstrar a participação dos investigados nos crimes apontados.

Pedido de prisão domiciliar foi negado

A defesa de Deolane solicitou à Justiça a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, alegando, entre outros pontos, que ela possui uma filha menor de idade e que, por ser advogada, teria direito a condições especiais de custódia. Também foram levantadas questões relacionadas à estrutura da unidade prisional onde ela está detida.

O pedido, porém, foi rejeitado. Na decisão, o magistrado considerou que os argumentos apresentados não justificam a mudança do regime de custódia neste momento do processo. O Ministério Público também se manifestou contra a concessão do benefício, sustentando que a existência de filha menor, isoladamente, não seria suficiente para autorizar a prisão domiciliar.

Processo entra em nova fase

Com o recebimento da denúncia, o caso passa para a fase de instrução processual. A partir de agora, acusação e defesa poderão apresentar provas, indicar testemunhas e realizar diligências antes que a Justiça decida sobre eventual condenação ou absolvição dos réus.

A investigação é considerada uma das mais relevantes conduzidas recentemente pelo Gaeco em São Paulo por envolver o suposto uso de empresas e pessoas ligadas à facção criminosa para movimentação de recursos financeiros. O processo seguirá tramitando na Justiça paulista e ainda não há previsão para julgamento.