A REDAÇÃO

A Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva à produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo longa-metragem “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão determina que o ex-marido da produtora, Wemerson Marinho da Gama, mantenha distância mínima de 300 metros dela e de seus familiares, além de proibir qualquer forma de contato, inclusive por redes sociais, aplicativos de mensagens ou intermédio de terceiros.

A medida foi concedida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher com base na Lei Maria da Penha. Também ficou proibida a divulgação de imagens ou vídeos de Karina sem autorização. Segundo o processo, a produtora relatou ter sofrido intimidações após o fim do casamento, cujo pedido de divórcio foi protocolado em fevereiro de 2025. O ex-casal tem uma filha de três anos.

De acordo com os autos, uma testemunha ouvida pela Polícia Civil afirmou que Wemerson teria solicitado compensações financeiras e participação em contratos ligados ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. Ainda segundo o relato, após negativas, teriam ocorrido ameaças e tentativas de exposição da vida pessoal da produtora. O pedido de proteção chegou a ser negado inicialmente, mas foi reavaliado pela Justiça após a apresentação de um laudo psicológico que apontou indícios de violência psicológica, moral e ameaça.

A decisão também estabelece que o contato entre o pai e a filha ocorra apenas por meio de uma pessoa indicada por Karina. Em manifestação à imprensa, a defesa de Wemerson afirmou que ele ainda não foi formalmente citado no processo e declarou que não mantém contato com a ex-esposa há meses.

O caso ocorre em meio à repercussão envolvendo o filme “Dark Horse”, cuja produção tem sido alvo de questionamentos sobre fontes de financiamento. Recentemente, vieram à tona informações sobre negociações relacionadas ao projeto, levando a Agência Nacional do Cinema (Ancine) a abrir uma apuração sobre o caso. Paralelamente, Karina também é investigada em procedimentos relacionados a contratos do Instituto Conhecer Brasil com a administração municipal de São Paulo. A produtora nega irregularidades e afirma estar reunindo documentação para apresentar às autoridades competentes.

Até o momento, o processo referente à medida protetiva segue em andamento e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.