SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Autoridades de Hong Kong acusam duas empresas e sete pessoas por crimes ligados ao incêndio no conjunto habitacional Wang Fuk Court, que matou 168 pessoas.

Foram apresentadas 25 acusações contra os suspeitos, incluindo homicídio culposo e conspiração para fraudes. De acordo com a BBC, também constam entre as imputações lavagem de dinheiro, tentativa de obstruir a investigação e sonegação fiscal. Os casos estavam previstos para serem analisados pela Justiça ainda hoje.

As duas empresas citadas no caso são a consultoria do projeto e a empreiteira principal da reforma do Wang Fuk Court. As autoridades afirmaram que os sete acusados tinham funções diferentes na obra, incluindo diretores das companhias e o inspetor registrado ligado à consultoria.

As autoridades não divulgaram os nomes das empresas e das pessoas acusadas. Reportagens anteriores, porém, já apontavam a Prestige Construction and Engineering Company como a empreiteira registrada das reformas.

As acusações desta semana ocorrem após uma série de prisões feitas desde o incêndio. Em março, a polícia disse ter prendido 38 pessoas por suspeitas ligadas ao caso, como homicídio culposo e fraude. O órgão anticorrupção do país também realizou uma investigação paralela e prendeu outras 23 pessoas. Entre os detidos estavam consultores, empreiteiros e integrantes da associação de proprietários do complexo. Não foi informado, no entanto, quantos permaneceram presos.

Uma comissão independente segue apurando as causas do incêndio e as condições de segurança do conjunto. Victor Dawes, advogado que representa o comitê, disse anteriormente que quase todos os sistemas de segurança contra incêndio falharam no dia do desastre por erro humano.

O incêndio atingiu sete prédios de apartamentos e ocorreu em 26 de novembro de 2025, no distrito suburbano de Tai Po. No local, moravam mais de 4.600 pessoas e, entre as vítimas, estão 110 mulheres e 58 homens, com idades entre seis meses e 98 anos.

Os bombeiros trabalharam com a hipótese de que o fogo se espalhou de um edifício ao outro por causa do ventos e das cinzas. Mais de 700 profissionais estiveram envolvidos no combate às chamas, além de equipes de pronto-socorro e policiais.

Incidente ocorreu após um ano de reclamações sobre a segurança do local. Os moradores do complexo foram informados pelas autoridades no ano passado de que enfrentavam “riscos de incêndios relativamente baixos” após se queixarem repetidamente sobre o potencial de inflamabilidade em obras de reforma em andamento.

O incêndio destruiu uma comunidade descrita como muito unida e que abrigava milhares de pessoas. Um sobrevivente disse à BBC que a repercussão do caso ainda pesa no dia a dia: “Meu coração se parte toda vez que me chamam de herói”.