BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A montadora GWM apresentou nesta terça-feira (9) seu primeiro carro híbrido flex produzido no Brasil, o Haval H6, que estreia com três opções de motorização. É uma mudança de postura: há três anos, os executivos chineses da empresa não estavam dispostos a investir alto em carros capazes de consumir etanol, uma solução ainda restrita ao Brasil.
O acesso a benefícios tributários e o interesse do consumidor pela tecnologia prevaleceram, e o SUV médio é a segunda opção da marca capaz de rodar com o combustível de origem renovável. O primeiro foi o jipão importado Tank 300 (R$ 342 mil).
Com apelo urbano, o Haval H6 híbrido flex parte de R$ 199,9 mil na versão One, um aumento de R$ 900 na comparação com a linha 2026 -que foi apresentada em novembro, no Salão do Automóvel de São Paulo. Ou seja, o veículo que mudou de estilo há apenas sete meses já recebe uma evolução mecânica, para tristeza de quem comprou uma versão “antiga”.
A ideia era lançar o carro renovado já com a tecnologia híbrida flex, mas houve um descompasso entre o desenvolvimento e a data prevista para a chegada ao mercado. Para não ficar defasada diante dos concorrentes, a GWM optou por colocar logo a atualização de estilo nas lojas, mesmo que com motor a gasolina.
Portanto, não há diferença no desenho entre o modelo 2026 e o flex 2027. Já as mudanças em relação ao primeiro H6, lançado em 2023, incluem nova frente e logomarcas pretas na traseira.
Por dentro, o volante de raio mais espesso melhorou a experiência ao dirigir. A suspensão também evoluiu, ficando mais firme.
Na parte mecânica, todas as opções trazem tratamento anticorrosão para suportar as especificações do álcool hidratado. Há também sensor de etanol, que detecta o uso do combustível de origem renovável e faz o gerenciamento do sistema de injeção do motor 1.5 turbo flex.
A potência passou de 243 cv para 248 cv nas versões One e HEV2 (R$ 225 mil). Em ambas, o sistema híbrido não permite recarga externa.
Segundo os dados de homologação junto ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), essas opções HEV são capazes de rodar 10,2 km consumindo um litro de etanol no uso urbano. A GWM afirma que houve melhora no consumo com gasolina, algo possibilitado pelas mudanças no sistema de transmissão e por uma nova bateria de propulsão.
A tecnologia plug-in está disponível a partir da versão PHEV19 (R$ 250 mil), que manteve os 326 cv de potência combinada e ganhou mais autonomia no modo puramente elétrico, podendo rodar até 77 com uma carga (4 km a mais que antes).
O alcance também aumentou nas versões PHEV35 do H6 convencional (R$ 290 mil) e de sua opção GT (R$ 326 mil), indo de 170 km para 180 km de acordo com o cálculo da GWM. Ambos receberam uma nova caixa de quatro marchas, duas a mais que antes.
A potência das opções mais caras foi mantida em 393 cv, resultado da combinação do motor 1.5 turbo flex com outros dois propulsores elétricos. Um dos diferenciais está na possibilidade de recarga rápida. A potência máxima suportada é de 48 kW em estações DC, sendo possível abastecer a bateria de 35 kWh em cerca de 50 minutos.
As novas versões híbridas flex já estão sendo produzidas em Iracemápolis (interior de São Paulo), mas há também uma parte importada. Em abril, 35% dos Haval H6 vendidos no Brasil vieram da China.
A marca planeja realizar 12 lançamentos ao longo de 2026. A conta abrange versões de modelos já existentes e também novos produtos, como o SUV elétrico Ora 5, que estreia no fim deste mês.
Para não ficar para trás na disputa de mercado, a BYD também apresenta nesta semana o Atto 2, SUV médio híbrido flex que será montado em Camaçari (BA). Trata-se de um modelo de menor porte, que deve concorrer com Hyundai Creta e Volkswagen T-Cross no mercado brasileiro.
O lançamento traz basicamente a mesma carroceria do Yuan Pro, que tem motorização 100% elétrica.




