SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ataques de Israel no sul do Líbano deixaram ao menos sete mortos nesta segunda-feira (8), segundo o Ministério da Saúde libanês. Os bombardeios ocorreram após Tel Aviv afirmar que continuará realizando operações contra o Hezbollah apesar das advertências do Irã e do próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre os mortos na ofensiva na cidade de Zifta, no distrito de Nabatieh, estão uma mulher e uma criança síria, de acordo com autoridades libanesas. O Hezbollah afirmou ter atacado tropas israelenses em território libanês, mas não reivindicou ações dentro de Israel.
Também nesta segunda, um carro foi atingido por um bombardeio em Tiro, principal cidade do sul do país. A agência estatal libanesa NNA atribuiu o ataque a Israel e informou que um míssil atingiu o veículo nas proximidades de um prédio da Cruz Vermelha Libanesa. A organização afirmou que quatro paramédicos ficaram feridos por estilhaços de vidro.
Os episódios ocorreram após Israel e Irã anunciarem o encerramento de uma rodada de ataques mútuos que quase enterrou o cessar-fogo e reacendeu o risco de uma retomada do conflito em larga escala no Oriente Médio. Teerã advertiu que poderá retomar as ofensivas caso Israel mantenha sua campanha militar em território libanês, mas autoridades do Estado judeu indicaram que não pretendem alterar sua estratégia.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as Forças Armadas seguirão atuando contra o Hezbollah no Líbano. Pouco depois da declaração, o Exército israelense emitiu um alerta de evacuação para uma área de Tiro.
Katz afirmou ainda que os subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah, serão alvo de retaliações a cada ataque lançado contra o norte de Israel. “Rejeitamos categoricamente as ameaças do Irã. Qualquer tentativa iraniana de vincular Líbano e Irã e atacar Israel será enfrentada com grande força, como aconteceu ontem [domingo]”, afirmou.
Israel bombardeou redutos do Hezbollah em Beirute durante o fim de semana. Teerã retaliou, lançando um ataque com mísseis contra Israel. A suspensão dos ataques diretos foi anunciada nesta segunda após pressão pública de Trump para que os dois países interrompessem as hostilidades.
Teerã sustenta que qualquer solução para o conflito regional deve incluir o Líbano. A trégua reduziu significativamente os bombardeios, mas não encerrou os confrontos. Israel nunca interrompeu sua campanha militar no país.
O governo do Líbano divulgou um balanço em que diz que o Exército israelense realizou 3.491 ataques aéreos e 407 demolições desde a entrada em vigor da trégua mediada pelos EUA, em 17 de abril.
Mais de 1 milhão de pessoas, cerca de um quinto da população libanesa, foram deslocadas desde o início da guerra.


