RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Eduardo Sterblitch, 39, se prepara para mergulhar em dois personagens bem mais sombrios do que aqueles que o transformaram em um dos nomes mais populares do humor brasileiro. Curiosamente, ambos são ligados ao universo do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980).

O primeiro será em uma nova montagem de “O Beijo no Asfalto”, que o ator define como “uma pedreira”, referindo-se à complexidade do texto. Logo em seguida, ele será um dos protagonistas da novela “Paraíso Perdido”, produzida para o Globoplay e inspirada na obra do dramaturgo.

Na trama assinada por George Moura e Sergio Goldenberg, Sterblitch interpretará Peixoto, personagem de “Bonitinha, mas Ordinária” que se envolve com a própria cunhada. “Faço o vilão”, comemora ele, sem esconder a animação diante da mudança de registro.

Ainda que goste da ideia de se aventurar em um gênero no qual o grande público o viu pouco, ele diz que o grau de dificuldade não é maior que o habitual para ele. “É muito mais fácil fazer do que humor”, afirma. “Fazer o brasileiro rir é muito difícil.”

Ele explica que considera que o público brasileiro tem um senso de humor sofisticado e espontâneo, o que torna a missão de surpreendê-lo ainda mais complexa. “O brasileiro é muito bem-humorado, muito engraçado naturalmente. Conseguir fazer a galera rir no Brasil é muito difícil”, avalia.

Enquanto se prepara para os novos desafios dramáticos, Sterblitch celebra o sucesso de E.T., programa do Multishow que divide com Tata Werneck. A atração, que conquistou o público pelo carisma da dupla, nasceu cercada de limitações, segundo ele.

“A gente conseguiu levantar um programa de humor com o orçamento de uma coxinha e um caldo de cana”, brinca. Segundo ele, a sensação de amizade genuína transmitida na tela é o que mais aproxima o público. “As pessoas veem a gente feliz ali, nos divertindo juntos. Acho que essa é a alma do programa.”

Além do programa, da novela e da peça, o ator adianta que também prepara outra montagem teatral que passará pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, embora não possa falar dela por enquanto. “Não posso dar mais detalhes por causa da confidencialidade… Está difícil segurar (risos)”, diz.