SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Trinta anos depois de lançar o disco que apresentou o Placebo ao mundo, a banda britânica decidiu voltar às fitas originais para revisitar aquele começo. O resultado é “Placebo RE:CREATED”, álbum que chega às plataformas em 19 de junho com versões retrabalhadas do disco de estreia de 1996, incluindo faixas como “Nancy Boy”, “36 Degrees” e “Teenage Angst”.

Mas, ao contrário de uma regravação tradicional, o grupo não refez as músicas do zero. Segundo o guitarrista e baixista Stefan Olsdal, a ideia foi pegar o material original e aproximá-lo do som que a banda desenvolveu ao longo de três décadas de estrada.

“Não regravamos nada. Mantivemos todas as tomadas originais. Basicamente, aprimoramos o álbum, colocamos teclados em alguns lugares, engrossamos guitarras, adicionamos backing vocals e remixamos tudo para soar como se tivéssemos gravado esse disco hoje”, afirmou o músico em entrevista.

Olsdal contou que o projeto vinha sendo discutido havia anos, principalmente porque a banda considera o primeiro álbum um trabalho feito ainda sob limitações técnicas e de experiência. “Éramos muito jovens e inexperientes. Não conseguimos chegar a todos os sons que queríamos naquela época”, disse.

Segundo ele, a decisão de revisitar o disco ganhou força justamente no aniversário de 30 anos do lançamento. “Agora pareceu o momento perfeito. Temos muito mais experiência de estúdio e sabemos como conseguir sons melhores.”

O músico rejeita, porém, a ideia de que o álbum original tenha envelhecido mal. “Não acho que soe datado. Era um disco muito cru, muito punk, feito essencialmente por três pessoas.”

O Placebo surgiu em 1996 em contraste evidente com a explosão da Britpop. Enquanto bandas como Oasis e Blur dominavam o rock britânico, o vocalista Brian Molko aparecia maquiado, cantando sobre sexualidade, drogas e alienação. A imagem da banda destoava do imaginário masculino e nacionalista que marcava boa parte do rock inglês daquele período.

Questionado sobre a resistência que encontraram na época, Olsdal relativizou os conflitos. “Muito disso era criado pela imprensa. A imprensa gosta de criar rivalidades entre bandas”, afirmou. “Nós só estávamos fazendo o que parecia certo para nós. Mas às vezes isso nos colocava em problemas, porque dizíamos exatamente o que pensávamos.”

O lançamento também tenta aproximar o disco original do som que o Placebo passou a desenvolver nos shows. Olsdal lembra que, em 1996, a banda funcionava como um trio, enquanto hoje sobe ao palco com seis músicos. “As músicas naturalmente mudaram ao vivo. Ficaram mais amplas, mais cheias, com outra dimensão sonora.”

A banda também prepara uma turnê comemorativa focada nos dois primeiros discos, “Placebo” e “Without You I’m Nothing”. Algumas músicas, segundo o grupo, não aparecem ao vivo há mais de 20 anos.

O Brasil deve entrar na rota. O Placebo já passou pelo país ao menos cinco vezes desde os anos 2000 e mantém uma base fiel de fãs por aqui. “Existe uma razão para continuarmos voltando”, disse Olsdal. “Estamos planejando uma longa turnê mundial e tentando voltar ao Brasil.”

PLACEBO RE:CREATED

– Quando 19 de junho

– Onde Nas plataformas digitais

– Autoria Placebo

– Gravadora Elevator Lady Ltd/AWAL