SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Brendan Banfield, condenado por matar a esposa em um plano com a au pair da família, a brasileira Juliana Peres, foi sentenciado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional nos EUA. Ele também foi responsabilizado pelo assassinato de um homem, atraído ao local do crime.
O homem de 41 anos recebeu a pena máxima após ouvir familiares das vítimas em um tribunal da Virgínia. Ao anunciar a sentença, a juíza Penney S. Azcarate afirmou que “o nível de crueldade, cálculo e desumanidade neste caso reflete algo muito mais profundo do que raiva ou impulso. Reflete maldade”. O crime aconteceu em 2023.
Decisão também impôs penas adicionais, cumpridas em sequência, por crime com arma e por colocar uma criança em risco. Essa última acusação, segundo informações da CNN, está ligada à filha pequena do casal, que estava na casa em Herndon no momento dos assassinatos.
Promotoria diz que Banfield e a au pair Juliana Peres, com quem ele mantinha um caso, atraíram Joseph Ryan, também assassinado, para a residência com o objetivo de incriminá-lo. Segundo os investigadores, os dois criaram perfis falsos na internet e combinaram um encontro sexual para levar Ryan ao local e montar a cena do crime.
Antes da sentença, Banfield voltou a negar culpa e disse que o caso da acusação tinha falhas. “Não estou tentando diminuir de forma alguma o que foi a vida da Christine. Ela realmente era uma mãe carinhosa, uma esposa carinhosa, uma enfermeira amorosa”, declarou, antes de completar: “Mas eu não sou responsável pela morte dela”.
Famílias das vítimas falaram sobre a perda e criticaram a versão apresentada pelo réu no julgamento. A irmã de Christine, Danielle Hocker, disse: “Desde que a perdi, essas mesmas memórias mudaram. Elas não são mais apenas alegres, mas carregadas de luto, cada uma lembrando tanto o quanto eu tinha quanto o quanto foi tirado”.
A babá Juliana Peres Magalhães, de 26 anos, relatou ao júri que o casal criou uma conta falsa para se passar por Christine e atrair um homem em um site de fetiche. Na abertura do processo, a promotora Jenna Sands resumiu a mensagem atribuída ao perfil: “Christine estará dormindo na cama. Venha direto para cima. Tire as roupas. Amarre ela. Estupre. Simples e divertido. Foi assim que isso foi colocado”.
Juliana disse que Banfield queria ficar com ela, mas não queria pagar um divórcio nem dividir a guarda da filha, e por isso teria planejado matar a esposa. De acordo com o depoimento, após Ryan chegar à casa na manhã de 24 de fevereiro de 2023, Banfield atirou nele e depois esfaqueou Christine.
Ela morava na casa onde o crime aconteceu e foi babá da família por dois anos antes de ser presa. Ela estava em um programa de intercâmbio e cuidava da filha do casal. A mansão onde eles moravam era avaliada em US$ 1 milhão (mais de R$ 5 milhões).
Defesa apresentou outra versão e afirmou que Banfield atirou ao ver Ryan atacando Christine no quarto. No julgamento, ele chamou a acusação de conspiração para matar a esposa de “absolutamente maluca” e disse que usou a arma de serviço ao entrar no cômodo.
Banfield foi considerado culpado por duas acusações de homicídio qualificado, pelas mortes de Christine Banfield e Joseph Ryan. Em fevereiro, o caso já havia sido relatado após o veredito, e a expectativa era de pena máxima.
Juliana Peres Magalhães se declarou culpada em outubro de 2024 por homicídio culposo pela morte de Ryan, em acordo para cooperar com a acusação. Mesmo com a recomendação conjunta de tempo já cumprido, a juíza a condenou a dez anos de prisão.
Ao definir a pena da brasileira, a juíza disse que ela agiu de forma deliberada e com desprezo pela vida humana. “Suas ações foram deliberadas, egoístas e demonstraram um profundo desrespeito pela vida humana”, afirmou Azcarate.




