SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Diane Keaton, ao longo de sua trajetória, sempre defendeu uma ideia de que a identidade visual de uma pessoa é construída com tempo, pesquisa e experimentação. A atriz, que morreu em outubro do ano passado, aos 79 anos, deixou essa filosofia registrada não apenas em filmes e aparições públicas, mas também em uma coleção de objetos pessoais que agora será levada a leilão nos Estados Unidos.
Ainda neste mês, a casa de leilões Bonhams e a consultoria Fine Art Group promovem quatro vendas em Nova York e Los Angeles, algumas delas também com participação online.
Segundo o New York Times, o conjunto reúne roupas de grife e peças vintage usadas por Keaton, obras de arte de sua coleção particular -incluindo trabalhos produzidos por ela mesma-, móveis e objetos de decoração de sua propriedade em Sullivan Canyon, nas montanhas de Santa Monica, além de lembranças de carreira, como o roteiro original ainda sem título de “Annie Hall”.
A seleção oferece um retrato detalhado da artista que transformou a própria imagem em uma assinatura cultural. Ao longo da carreira, Keaton ficou conhecida por desafiar convenções da moda ao combinar elementos tradicionalmente associados ao guarda-roupa masculino, como ternos, gravatas e chapéus-coco, com saias amplas, estampas delicadas e acessórios de inspiração feminina. O visual atingiu o auge de sua influência após “Annie Hall” (1977), filme que ajudou a consolidar sua reputação como ícone de estilo.
A própria atriz reconhecia a importância das roupas em sua trajetória. Em seu livro de arte “Diane Keaton: Fashion First”, lançado em 2024, ela escreveu: “Quando penso em ‘Annie Hall’, não consigo falar desse filme sem mencionar a moda. Era tudo para mim. Eu adorava poder me vestir como eu mesma”. Nem todas as escolhas, porém, foram recebidas com entusiasmo na época. Alguns de seus looks chegaram a figurar em listas de celebridades malvestidas, algo que não a impediu de seguir cultivando uma estética própria.
A abrangência do acervo impressiona, já que são mais de 50 anos de história reunidos em centenas de peças. Entre os destaques apontados por especialistas consultados pelo New York Times estão tapeçarias Navajo adquiridas por Keaton ao longo de sua trajetória como colecionadora.




