A REDAÇÃO

A defesa do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, divulgou imagens da abordagem realizada por policiais civis durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão relacionado a um adolescente investigado por tráfico de drogas. A operação foi conduzida por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) na residência do artista.

Nas imagens, o adolescente procurado é localizado e abordado pelos policiais dentro do imóvel. Durante a ação, agentes retiram um cordão do pescoço do jovem antes de colocá-lo em uma viatura. O procedimento provoca reação de pessoas que acompanhavam a operação no local.

O vídeo mostra um dos amigos do rapper questionando a atuação dos policiais. Em seguida, ele é atingido com chutes e um tapa no rosto durante a confusão. Em outro momento das imagens, Oruam aparece na sacada da residência arremessando pedras em direção aos agentes.

As gravações também mostram o adolescente detido abrindo sozinho a porta da viatura e fugindo do local durante o tumulto. Os policiais percebem a fuga, mas não perseguem o suspeito naquele momento. Ainda segundo as imagens divulgadas pela defesa, agentes apontam armas para pessoas que estavam na residência enquanto eram hostilizados pelo grupo.

Em determinado trecho do vídeo, Oruam se aproxima das viaturas com um celular nas mãos e bate repetidamente no vidro de um dos carros da polícia. Cerca de 20 minutos após deixarem o local, os agentes retornam com reforço policial.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Oruam e outro acusado teriam assumido o risco de provocar a morte dos policiais ao arremessar pedras contra os agentes durante a ação. Atualmente, o rapper é considerado foragido pela Justiça.

Mesmo com a situação judicial, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro realizou nesta semana a audiência de instrução do processo em que Oruam e outras três pessoas respondem por tentativa de homicídio contra policiais civis. O procedimento marca o início da fase de instrução do caso, que tramita na 3ª Vara Criminal do Tribunal do Júri do estado.

Durante a audiência, foram ouvidas testemunhas ligadas ao caso, entre elas a noiva do artista, Fernanda Valença de Oliveira, o produtor Leandro de Souza Almeida e sete policiais civis envolvidos na ocorrência.

Oruam é acusado de tentar matar dois policiais civis durante os acontecimentos registrados em julho de 2025. Além da acusação de tentativa de homicídio, ele também responde por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. Outras três pessoas — Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos — também são rés no processo.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e aceita pela Justiça. Segundo a promotoria, os acusados assumiram o risco de matar os agentes ao atirar pedras contra os policiais durante a operação.

O rapper também é investigado por suposta ligação com a organização criminosa Comando Vermelho. O pai do artista, Marcinho VP, apontado como uma das lideranças da facção, está preso há mais de 20 anos. Em abril deste ano, o Ministério Público denunciou Oruam, Marcinho VP, Marcia Gama Nepomuceno e outras nove pessoas por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao grupo criminoso.