A REDAÇÃO
O cantor Ryan Santana dos Santos afirmou à Polícia Federal ter renda mensal de cerca de R$ 1,5 milhão e negou envolvimento em crimes financeiros em depoimento prestado no âmbito de uma investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 1,6 bilhão, ligado a apostas e rifas ilegais.
Segundo o depoimento, o artista declarou que suas receitas são provenientes de patrocínios de casas de apostas legalizadas, shows, royalties de plataformas digitais e empresas próprias no setor musical. Ele também afirmou não ter conhecimento de movimentações em dinheiro em espécie ou criptoativos envolvendo suas contas ou empresas, destacando que todas as operações seriam regularmente declaradas à Receita Federal.
O cantor foi preso no dia 15 de abril, durante operação que também resultou na detenção de Marlon Brendon Coelho Couto Silva e de Raphael Sousa Oliveira, além de outras pessoas investigadas. A defesa de Ryan, representada pelo advogado Felipe Cassimiro, já havia negado anteriormente a prática de crimes.
Durante o interrogatório, o artista detalhou sua estrutura financeira, afirmando ser proprietário de empresas como a Bololo Records Entretenimentos, voltada ao agenciamento de artistas, além de outras ligadas à produção artística e gestão patrimonial. De acordo com ele, essas empresas concentram receitas relacionadas a shows, publicidade e direitos autorais.
Ryan também declarou possuir imóveis avaliados em milhões de reais, incluindo residência, apartamentos e uma chácara em Goiás, além de veículos de alto padrão, todos informados em declarações fiscais. Questionado sobre movimentações financeiras, disse não ter conhecimento de operações irregulares, como fracionamento de valores, uso de terceiros para ocultação de recursos ou transporte de dinheiro em espécie.
Sobre transferências de menor valor, afirmou que realiza repasses a colaboradores para cobrir despesas operacionais da produção musical, como contratações e custos de gravação, com posterior compensação. Em relação ao grande volume de transações via Pix, apontado na investigação, disse que os valores podem estar relacionados a pagamentos por publicidade e transferências feitas por fãs.
A investigação aponta a existência de uma organização criminosa estruturada para lavar dinheiro por meio de empresas, contas de terceiros e fragmentação de transferências, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos recursos. Parte dos valores teria origem em apostas, repasses ilícitos e depósitos sem identificação.
O caso é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada anteriormente para apurar lavagem de dinheiro associada ao tráfico internacional de drogas por meio de apostas online. As apurações seguem em andamento.




