SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Cientistas descobriram uma colônia de 5,5 milhões de abelhas sob o Cemitério East Lawn, na cidade de Ithaca, em Nova York (EUA). O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Cornell e publicado na última segunda-feira na revista Apidologie.
A colônia é uma das maiores já registradas e provavelmente uma das mais antigas, segundo os pesquisadores. Cientistas sabiam que uma espécie dessas abelhas está presente no antigo cemitério East Lawn desde pelo menos 1935 -o cemitério data de 1878. Até então, porém, ninguém sabia exatamente quantas abelhas viviam ali.
A descoberta começou quase por acidente. Em 2022, uma técnica da Universidade Cornell notou um grande número de abelhas enquanto caminhava pelo cemitério e levou amostras de volta ao laboratório. Um estudo mais detalhado liderado pelo entomologista Bryan Danforth e sua equipe determinou o tamanho da população de abelhas sob os túmulos.
As abelhas pertencem à espécie Andrena regularis, conhecidas como “abelhas escavadoras”. Trata-se de uma espécie solitária que nidifica (construir ou formar um ninho) no chão em vez de formar colmeias.
Cerca de 70% das espécies de abelhas nos EUA vivem no subsolo e operam de forma independente, segundo cientistas. Ainda assim, elas costumam ser associadas a grandes colônias.
Os pesquisadores colocaram pequenas armadilhas pelo cemitério para capturar as abelhas à medida que elas emergiam. Ao saber quantas abelhas saíam de áreas específicas, a equipe calculou a densidade populacional e a transportou para cerca de 6.000 a 6.500 m². O resultado: uma estimativa entre 3 milhões e 8 milhões de abelhas, com média de cerca de 5,5 milhões.
Fiquei completamente perplexo quando fizemos os cálculos. Já vi estimativas publicadas de agregações de abelhas na casa das centenas de milhares. Mas nunca imaginei que chegaria a 5,5 milhões de abelhas Bryan Danforth à Scientific American
O solo não perturbado do cemitério, o uso mínimo de pesticidas e o chão raramente mexido criam condições quase perfeitas para nidificação, explicou Danforth ao Cornell Chronicle. Os pomares próximos da Cornell e outras plantas floridas também fornecem um suprimento constante e abundante de alimento, tornando o local um paraíso perfeito para as abelhas.
“A nova pesquisa destaca a importância dos cemitérios como habitat para abelhas que nidificam no solo. “As abelhas solitárias são totalmente subestimadas. Passo muito tempo tentando incentivar as pessoas a valorizá-las, porque elas fazem tanto e ficam meio fora do radar. Mas são criaturas fascinantes”, disse Danforth à Scientific American.

