BARCELONA, ESPANHA (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início a uma viagem de cinco dias pela Europa. Ele foi recebido nesta sexta-feira (17) pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, acompanhado de uma comitiva de 11 ministros.

Os governos assinaram 15 acordos de cooperação em áreas como minerais críticos, assuntos consulares, economia social, cultura, ciência e tecnologia, igualdade de gênero e racial e adaptação a mudanças climáticas.

Críticos de Donald Trump, os países também divulgaram uma declaração conjunta na qual “rejeitam o unilateralismo e a ameaça ou o uso da força contra a independência dos Estados” e sublinham a “centralidade das Nações Unidas”, sem citar nominalmente EUA ou Irã.

O documento diz ainda que chegou o momento de um nome latino-americano voltar a ocupar a Secretaria-Geral da ONU, nunca ocupado por uma mulher. Um dos objetivos do Brasil nesta viagem é conseguir apoios a Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para o cargo em 2027.

Apesar disso, Lula afirmou que a instituição está enfraquecida: “A ONU hoje está muito enfraquecida. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU. As decisões da ONU não são cumpridas”, declarou em entrevista coletiva ao lado de Sánchez após o encontro.

Neste sábado (17), ambos se reunirão com uma dúzia de chefes de Estado progressistas que pretendem fazer frente à onda mundial de direita. Será o quarto encontro do chamado Fórum Democracia para Sempre, criado pelos dois mandatários em 2024.

A lista de confirmados inclui os presidentes Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). Entre os europeus, também estão os vice-premiês da Alemanha (Lars Klingbeil) e do Reino Unido (David Lammy).

“O desafio de fazer uma reunião e ajudar as pessoas progressistas é cada vez mais importante, porque está cada vez menor os progressistas. Lembro da primeira reunião de progressistas”, declarou Lula, citando a presença de ex-mandatários como o americano Bill Clinton e o britânico Tony Blair.

“Hoje, na primeira reunião que o Brasil teve na ONU, a gente não quis nem falar a palavra progressista, porque a gente queria convidar o [presidente francês Emmanuel] Macron, o [Joe] Biden. A gente falou a palavra democrata”, completou o presidente em tom jocoso.

Questionado sobre a situação da Venezuela, respondeu que “a Venezuela é um destino dos venezuelanos” e que “já tem muita preocupação no Brasil para se preocupar com a Venezuela”. “O que eu quero é que a Venezuela fique bem e volte a ser um país feliz, sem tutela de ninguém”, disse.

O evento deste sábado terá três eixos de debates: multilateralismo, desigualdades e combate à desinformação. Ainda não foi divulgado se Lula terá reuniões bilaterais com outros líderes.

Depois da Espanha, Lula seguirá para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover, e Portugal, onde se encontrará com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o novo presidente António José Seguro em Lisboa. Ele volta ao Brasil na próxima terça (21).

Os três países escolhidos pela visita impulsionaram o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio, depois de 26 anos de negociação.

Entre os ministros que integram a comitiva de Lula estão Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Margareth Menezes (Cultura).

Estão presentes ainda o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o diretor-geral da Polícia Federal, ⁠Andrei Rodrigues, e o presidente da Fiocruz, ⁠Mario Moreira.

Além dos eventos com chefes de Estado, em Barcelona Lula se reune ainda com empresários brasileiros e espanhóis, de setores como agronegócio, energia e infraestrutura. Também discursará no evento Mobilização Progressista Global, organizado pela sociedade civil e sindicatos.

Segundo o governo, a Espanha é a oitava maior parceira comercial do Brasil e o quinto maior destino das exportações brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral foi de US$ 12,6 bilhões, impulsionado principalmente pela exportação de petróleo, soja e minerais. Mais de mil empresas espanholas atuam em setores como finanças, energia e telecomunicações.

Lula e Sánchez já haviam se encontrado outras duas visitas recentes: o brasileiro foi a Madri em abril de 2023, e o espanhol foi a Brasília em março de 2024. No ano passado, foi definido que os dois países se reuniriam a cada dois anos, o que está sendo concretizado agora.