Da Redação

O Tribunal do Júri de Cachoeira Alta, no sudoeste de Goiás, condenou o motorista Jhonatan Murilo Leite a 52 anos de prisão pela morte de quatro policiais militares em um grave acidente ocorrido na BR-364, em abril de 2024. A decisão foi tomada após julgamento concluído nesta semana.

De acordo com a sentença, o réu foi responsabilizado por quatro homicídios com dolo eventual — quando há consciência do risco de provocar mortes. A pena foi fixada em 13 anos para cada vítima, totalizando mais de cinco décadas de reclusão, a serem cumpridas inicialmente em regime fechado.

O caso envolve a colisão entre uma carreta conduzida por Jhonatan e uma viatura do Comando de Operações de Divisas (COD) da Polícia Militar. Os policiais seguiam em serviço quando foram atingidos. O impacto foi frontal e matou todos os ocupantes do veículo oficial ainda no local.

As investigações apontaram que o caminhão invadiu a contramão em alta velocidade, fator determinante para o acidente. Laudos periciais indicaram que o veículo poderia estar entre 110 km/h e 120 km/h no momento da batida, em um trecho de pista simples da rodovia.

Durante o julgamento, a acusação sustentou que o motorista adotou uma conduta extremamente arriscada, citando elementos como velocidade elevada, ultrapassagem indevida e perda de controle do veículo. Para o Ministério Público, essas circunstâncias evidenciam que ele assumiu o risco de causar o resultado fatal.

A defesa, por outro lado, tentou desclassificar o crime para homicídio culposo — quando não há intenção — e apresentou laudo técnico próprio contestando a dinâmica do acidente. A tese, no entanto, não foi aceita pelos jurados.

O julgamento atual ocorreu após uma primeira tentativa, realizada em dezembro de 2025, que acabou anulada. Na ocasião, o conselho de sentença foi dissolvido depois que uma jurada admitiu não ter votado de forma consciente, o que comprometeu a validade do resultado.

As vítimas do acidente foram os policiais Gleidson Rosalen Abib, Anderson Kimberly Dourado de Queiroz, Liziano Ribeiro Júnior e Diego Silva de Freitas, todos integrantes do COD.

A defesa do motorista informou que pretende recorrer da decisão. O caso segue passível de análise em instâncias superiores.