SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em queda nesta sexta-feira (17), em meio ao otimismo dos investidores de que EUA e Irã possam alcançar um acordo de paz.

Às 9h32, o dólar caía 0,61%, aos R$ 4,963. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a outras seis divisas fortes, recuava 0,50%, a 97,72 pontos.

Na quinta-feira (16), o dólar fechou estável, cotada a R$ 4,992, sem variação de valor em relação ao pregão anterior. A Bolsa encerrou o dia em queda de 0,46%, aos 196.818 pontos.

A possível retomada das negociações de paz entre EUA e Irã retornou ao radar dos analistas durante o dia.

Em coletiva na Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que um acordo entre os países está próximo de ser fechado e que a próxima reunião entre Washington e Teerã pode ocorrer neste fim de semana.

Ele ainda disse não ter certeza se o cessar-fogo precisará ser estendido. A trégua temporária, anunciada no último dia 7, tem previsão de durar 15 dias, isto é, até o dia 22 de abril.

Segundo Trump, o Irã teria concordado em entregar seu estoque de urânio enriquecido, parte importante do programa nuclear de Teerã.

Além disso, o republicano anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel. Trump disse ter firmado o acordo em conversas com o líder libanês, Joseph Aoun, e com o premiê Binyamin Netanyahu.

Israel abriu negociações diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993, mas excluiu o Hezbollah, facção libanesa apoiada pelo Irã. Na terça (14) houve a primeira rodada de conversas, com mediação dos EUA, em Washington.

“Os investidores estiveram em compasso de espera. Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações diplomáticas poderiam ser retomadas nos próximos dias, mas outras fontes afirmaram que o encontro poderia demorar mais. Então, o cenário é de dúvida”, diz Lucca Bezon, especialista em inteligência de mercado da StoneX.

O pregão desta quinta reforçou esse comportamento cauteloso. A maior aversão ao risco valorizou o dólar, que chegou a romper a barreira dos R$ 5 na máxima do pregão —com cotação de R$ 5,014, em alta de 0,44%.

Na quarta-feira (15), o entusiasmo já deu mostras de reversão. Apesar do dólar ter se mantido estável durante grande parte da sessão, a Bolsa fechou em recuo de 0,46%.

O cenário geopolítico foi o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nesta semana. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.

O Brasil se valoriza neste contexto pelo diferencial de juros com os EUA e pela distância em relação ao conflito. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou. Na sexta (10), a moeda encostou nos R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor. Na segunda (13), o dólar rompeu o piso, patamar que não era alcançado desde 2024.

A corretora Ágora vê o dólar oscilante, com o cenário internacional ainda incerto, mas destaca a valorização de ativos brasileiros, pincipalmente pela exposição a commodities como petróleo.

Nesta quinta, a commodity avançou com o clima de indefinição. À tarde, por volta das 17h, o preço do petróleo Brent, referência mundial, subia 3,38%, a US$ 98,17, enquanto o barril WTI, avançava 2,40%, a US$ 93,47. A alta influencia na valorização das ações da Petrobras, que subiram até 4,19%.

Há, contudo, algumas incertezas. O bloqueio dos EUA ao estreito de Hormuz, determinado por Trump no domingo (12), continua.

O comando militar do Irã ameaça agir para conter o comércio pelo mar Vermelho caso o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do país não seja levantado.

A via tem sido utilizada por empresas para desviar das tensões entre os países, inclusive por companhias do agronegócio brasileiro.

No cenário domestico, o destaque também ficou para dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerada uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto). O indicador teve uma alta de 0,6% em fevereiro em relação ao mês anterior, segundo dado dessazonalizado. A expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,47%.

Apesar da alta, o IBC-BR demonstrou desaceleração em relação à alta de 0,86% em janeiro. “[O dado] reforça a leitura de que a economia ainda cresce, mas com um menor fôlego na margem”, diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

Em conjunto com dados do IPCA de março, que registrou alta de 0,88% em março, os dados reforçaram a posição de vigilância do BC (Banco Central) em relação a trajetória da curva de juros —hoje em 14,75%.

“Esse quadro costuma pesar sobre setores mais sensíveis a juros, mas também dá sustentação ao argumento de que o mercado seguirá calibrando expectativas de crescimento e Selic com muita cautela nas próximas semanas”, diz Araújo.