RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A máquina de lavar roupa está presente em menos da metade dos lares do Nordeste, apesar de a posse do eletrodoméstico ter crescido ao longo de uma série histórica iniciada em 2016.

Trata-se da única grande região do país onde o aparelho ainda alcança menos de 50% dos domicílios, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As informações são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que dá um panorama do poder de compra das famílias.

Conforme o levantamento, a proporção de lares nordestinos com máquina de lavar chegou a 42,6% em 2025, o que representa uma alta de 9,6 pontos percentuais ante 2016 (33%).

O Norte registra o segundo menor patamar, calculado em 60% no ano passado, 19 pontos percentuais acima do encontrado em 2016 (41%).

A presença da máquina é maior no Sul. Em 2025, 91,6% dos domicílios da região tinham o eletrodoméstico, mais que o dobro do percentual nordestino.

Centro-Oeste (83,5%) e Sudeste (83,1%) vieram na sequência, todos acima da média brasileira (72,1%).

Os números, segundo o IBGE, refletem disparidades regionais históricas. Nordeste e Norte tradicionalmente enfrentam mais dificuldades em indicadores socioeconômicos.

A Pnad investiga a posse de quatro bens. Além da máquina de lavar roupa, há informações sobre geladeira, carro e motocicleta.

O IBGE deu destaque à máquina por ser o bem com o maior crescimento ao longo da série no país. A proporção de lares brasileiros com o aparelho aumentou 9,1 pontos percentuais, ao sair de 63% em 2016 para 72,1% em 2025.

Na avaliação de William Kratochwill, analista do IBGE, os dados sinalizam que o poder de compra do brasileiro cresceu com o passar dos anos, embora não tenha eliminado as desigualdades nas regiões.

“A região Nordeste tem o menor percentual [de máquina de lavar], são 42,6% dos domicílios. A evolução foi de 9 pontos [na série], o que é muito pouco para uma região tão carente”, disse.

Em três estados brasileiros, a presença da máquina de lavar permaneceu abaixo de 40% dos lares em 2025. O trio fica no Nordeste: Maranhão (33,4%), Piauí (35,8%) e Alagoas (39,9%). Em 2016, eram dez estados nessa situação, incluindo sete do Nordeste e três do Norte.

MOTO SUPERA CARRO SÓ NO NORTE E NO NORDESTE

A Pnad também indica que o carro estava presente em 49,1% dos endereços do país em 2025. Assim, o automóvel permaneceu acima do percentual de moradias com moto, estimado em 26,2%.

As duas proporções também cresceram se comparadas a 2016, quando estavam em 47,6% e 22,6% (+1,5 p.p. e +3,6 p.p.), respectivamente.

O Sul seguiu como a região com o maior percentual de lares com carro: 68,3%. É mais que o dobro do patamar do Nordeste (30%) e do Norte (31%).

Quando o bem analisado é a moto, o cenário regional muda. O Norte tem o maior percentual de domicílios com esse veículo, calculado em 39,5% em 2025. O Nordeste veio na sequência, com 34,5%.

As menores proporções de moradias com moto foram observadas no Sudeste (20,1%) e no Sul (21%).

O Norte e o Nordeste são as únicas regiões onde o percentual de lares com motocicleta supera o de domicílios com carro. As motos, em média, custam menos do que os automóveis.

“São regiões [Norte e Nordeste] com menor nível de rendimento. Naturalmente, eles [moradores] querem o seu meio de transporte, não conseguem comprar o carro e compram a motocicleta, um bem mais acessível para a população. Isso fica bem caracterizado”, afirmou William Kratochwill, do IBGE.

O bem analisado pelo instituto com a maior presença nos lares brasileiros é a geladeira. Em 2025, o equipamento fazia parte de 98,4% dos lares, 0,3 ponto percentual acima de 2016 (98,1%).

A proporção de domicílios com geladeira variou no ano passado de 94,8% no Norte a 99,4% no Sul.