RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A parcela de moradores da região Sudeste que vivem em apartamentos subiu de 17,8% em 2024 para 20,2% em 2025, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a primeira vez em uma série histórica iniciada em 2016 que essa proporção fica acima de 20%. O resultado significa que 1 em cada 5 habitantes da região morava em apartamentos no ano passado –18 milhões de um total de 88,8 milhões.

O Sudeste é a região mais populosa do Brasil e tem o maior percentual de habitantes em prédios. O Norte, por outro lado, registrou a menor proporção mais uma vez, estimada em 7%.

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). No país, a parcela de moradores em apartamentos subiu de 13,3% em 2024 para 15% em 2025, outro recorde da série.

As casas ainda são o principal tipo de moradia dos brasileiros, mas vêm perdendo participação. De 2024 para 2025, o percentual de habitantes nesses imóveis no país encolheu de 86,5% para 84,8%, o menor nível da série histórica. Esse percentual variou de 79,6% no Sudeste a 92,9% no Norte em 2025.

Para William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, o cenário reflete o perfil da urbanização no país, com a busca pelo aumento da densidade de moradores em grandes centros. É um movimento que passou a ser chamado de verticalização.

“Em um terreno de 600 metros quadrados com duas casas antes, agora se coloca um prédio com N andares, dependendo da legislação de cada lugar, com 20 ou 30 famílias”, disse o pesquisador, citando também a busca da população por mais segurança dentro dos apartamentos.

“As pessoas tendem a se sentir mais seguras dentro de um condomínio fechado do que em uma casa com o muro direto para a rua, sem a vigilância 24 horas de um porteiro.”

Ainda segundo William, o mercado imobiliário pode ter identificado oportunidades de aumentar os seus ganhos por meio da construção de edificações em vez de “vender uma casinha aqui e outra ali”.

O número de moradores de apartamentos no Brasil cresceu 36,1% na série histórica, de 2016 a 2025 (de 23,5 milhões para 32 milhões). No Sudeste, o avanço foi de 27,9% (de 14 milhões para 18 milhões).

No mesmo período, o contingente em casas aumentou menos no Brasil e até encolheu no Sudeste. Isso ajuda a explicar a perda de participação na série.

No país, o número de habitantes em casas subiu apenas 0,6% de 2016 para 2025, passando de 179,4 milhões para 180,4 milhões. No Sudeste, houve redução de 1,6% (de 71,9 milhões para 70,7 milhões).

A Pnad traz diferentes recortes geográficos, incluindo o das capitais. Vitória mostrou a maior proporção de moradores em apartamentos em 2025 (46,7%), enquanto Campo Grande teve a menor (7,8%).

Os destaques se invertem no ranking de casas. Campo Grande mostrou o percentual mais elevado de habitantes nesses imóveis (92,2%). Vitória teve o mais baixo (51,6%).

Na capital paulista, 62,5% dos moradores residiam em casas em 2025, e uma fatia de 37,4%, em apartamentos.