SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – MC Ryan SP, 25, teve um show cancelado no litoral de São Paulo após ser preso pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro.

O QUE ACONTECEU

A apresentação de MC Ryan SP estava marcada para esta sexta-feira (17), em São Vicente. O evento aconteceria no Rocket Sea Club, localizado no bairro Japuí, mas sofreu alterações após a prisão do artista.

A produtora All In publicou um comunicado, por meio das redes sociais, para explicar o cancelamento. A empresa justificou a ausência do cantor na programação sem citar diretamente a prisão.

“Informamos que, por motivos alheios à nossa vontade, o artista MC Ryan SP não poderá se apresentar. Contamos com a compreensão de todos”Nota oficial do evento

A casa de shows substituiu o cantor por MC Lele JP. O novo artista escolhido pelo evento canta a música “Diário de um Cafajeste”, em parceria com o próprio MC Ryan SP.

A Justiça Federal aponta o funkeiro como líder e principal beneficiário do esquema. A organização criminosa investigada movimentou mais de R$ 1,6 bilhão de forma ilícita.

CANTORES FORAM PRESOS EM OPERAÇÃO

Os cantores MC Ryan e Poze do Rodo são suspeitos de envolvimento com uma organização criminosa que movimentou valores altos. Eles foram presos nesta quinta-feira (16) em uma operação da Polícia Federal, que faz parte da Operação Narco Fluxo e deriva da Narco Bet, deflagrada em 2025.

Ao todo, foram cumpridos 90 mandados judiciais, entre buscas e prisões. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal, segundo a PF. Poze foi preso em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro e o MC Ryan SP foi detido na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.

Operação fez bloqueio bilionário e apreensões de veículos de luxo. A Justiça autorizou o bloqueio de cerca de R$ 1,6 bilhão. Além disso, aproximadamente R$ 20 milhões foram apreendidos “só em veículos”, afirmou o delegado Marcelo Maceiras.

PF segue o caminho do dinheiro, diz delegado. “A gente tem seguido todo o caminho do dinheiro”, disse, ao explicar que o trabalho começou ainda em 2023, com a apreensão de um veleiro com drogas.

Investigação continua após prisões e o objetivo é encontrar o “contador” do esquema. “A gente chegou nesse ponto, mas as investigações ainda vão prosseguir”, afirmou Maceira. Segundo ele, ainda há lacunas sobre a movimentação e a destinação final do dinheiro.

Dinheiro do tráfico leva a facções, diz polícia. O delegado disse que, ao rastrear recursos do tráfico de drogas, a investigação inevitavelmente chega a organizações criminosas. Ele evitou citar grupos específicos, mas afirmou que “parte do dinheiro” tem origem no tráfico.

MC Ryan é apontado pela PF como líder e beneficiário econômico da engrenagem criminosa investigada. Ele utilizaria empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar o dinheiro que ganhava de forma legítima com o dinheiro de apostas ilegais e rifas digitais. O UOL procurou a defesa do cantor e aguarda retorno.

Para blindar seu patrimônio das investigações, segundo a PF, o MC Ryan transferiu a participação em empresas para familiares e operadores financeiros. Além disso, diz a PF, para lavar o dinheiro obtido ilegalmente, ele comprava imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor.

Já o MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brendon Coelho, teria vínculo com empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos de rifas digitais e apostas. Em nota enviada ao UOL, a defesa dele disse que “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão” e que se manifestará na Justiça.

QUAL ERA O PAPEL DE CADA UM NA ORGANIZAÇÃO, SEGUNDO A PF

Influenciadores ajudavam a lavar dinheiro. Segundo o delegado Marcelo Maceiras, pessoas com grande visibilidade nas redes eram recrutadas para divulgar plataformas ilegais e movimentar recursos. “Eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações”, afirmou em entrevista.

Além de MC Ryan e Poze, outros nomes foram apontados pela PF. De acordo com o delegado, o alto volume de transações feito por essas figuras públicas dificulta a detecção. “Essas pessoas conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção”, disse.

Tiago de Oliveira é apontado como braço direito do MC, fazendo a gestão financeira do material ilícito. Ele seria o responsável por centralizar o dinheiro recebido e fazer a distribuição dele para outros operadores financeiros do grupo.

Os outros dois envolvidos no esquema mais próximos do MC seriam Alexandre Paula de Sousa Santos e Rodrigo de Paula Morgado. Alexandre seria o responsável pela intermediação entre o MC e as plataformas de apostas e Rodrigo seria o “contador” do grupo, fazendo as transferências bancárias.

Raphael, dono da Choquei, faria a contenção de imagem e a divulgação positiva de Ryan. A PF disse que ele teria recebido valores diretamente do MC, do braço direito dele e do operador financeiro do grupo, para fazer publicações positivas sobre o cantor e sobre as rifas.

Assim como MC Poze, o influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, também apareceu como vinculado às empresas. O influencer já tinha sido preso por envolvimento com rifas ilegais, mas foi solto em 19 de março.

O influenciador Henrique Viana (Rato Love Funk), dono da produtora Rato Love, é suspeito de fazer operações financeiras sem lastro. Esse seria mais um indício da lavagem de dinheiro cometida pelo grupo.

Defesa de Diogo305 afirmou que ele não tem qualquer relação com os alvos da operação. “Seu contato com influenciadores digitais limita-se a interações pela internet e à participação eventual em eventos”, afirmou o advogado Felipe Cassimiro em nota enviada ao UOL.

O UOL tenta localizar a defesa dos outros citados nas investigações. O espaço fica aberto para manifestações e será atualizado em caso de respostas.