SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) acatou nesta quinta-feira (16) o pedido de cautelar da Oncoclínicas contra cobranças por 60 dias, uma semana após seu balanço de resultados indicar um endividamento de R$ 3,3 bilhões, acima do limite estabelecido com credores.
Segundo despacho da Justiça, a empresa alegou que está “avaliando possíveis caminhos para a reestruturação de sua dívida”, mas que identificou, na última sexta-feira (10), um “evento de vencimento antecipado automático por descumprimento de índice financeiro no âmbito das debêntures”, o que acabou “desencadeando o vencimento antecipado cruzado de diversos instrumentos de dívida.”
A peça, assinada pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, afirma que a Oncoclínicas demonstrou a existência do vencimento e que a medida poderia comprometer seu fluxo de caixa e a posse de bens essenciais a sua operação.
A decisão suspende as execuções dos credores que estiverem em negociação com a empresa, como Caixa, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco. O deferimento, no entanto, não atende a todos os credores solicitados pela companhia. Não estão inclusos, por exemplo, dívidas com aluguéis e salários.
“A suspensão atinge apenas os créditos que estariam sujeitos a uma eventual e futura recuperação judicial. A medida cautelar antecedente não pode conferir à devedora uma proteção mais ampla do que a própria recuperação judicial conferiria”, afirma trecho do despacho.
A empresa havia ajuizado a ação de tutela cautelar na segunda-feira (13).
“A tutela cautelar terá como objetivo proporcionar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para a companhia, permitindo que ela conduza a mediação e negociação com seus credores sem interrupção de suas atividades ou alteração na condução ordinária de seus negócios, apesar do atual cenário macroeconômico e setorial desafiador”, afirmou a Oncoclínicas em fato relevante.
Balanço divulgado na semana passada apontou para um “cenário de incertezas significativas” sobre a “continuidade operacional” da companhia. O prejuízo líquido da empresa disparou de R$ 717 milhões em 2024 para R$ 3,6 bilhões em 2025.
No quarto trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 1,52 bilhão, com o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no período, recuo de 24% sobre o mesmo período em 2024.
Segundo o comentário dos diretores na demonstração financeira, o cenário é fruto de fatores que afetaram a liquidez corrente da companhia, como as perdas com recursos depositados no Banco Master, a inadimplência da Unimed-Ferj e uma redução de receitas por causa de uma revisão da política comercial.
A Oncoclínicas é uma rede de clínicas oncológicas que tem, atualmente, 146 unidades em 49 cidades do país. As unidades da rede incluem clínicas, laboratórios de genômica e patologia, unidades de prevenção e diagnóstico e centros integrados de tratamento ao câncer.

