BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Banco Central decretou nesta quinta-feira (16) a liquidação da Creditag, cooperativa de crédito, poupança e serviços financeiros.
O órgão regulador apontou como motivo da liquidação o grave comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, trazendo risco anormal a seus credores quirografários, aqueles cujos créditos não possuem garantia real (como hipotecas e penhores).
A Creditag esteve no caminho de dinheiro desviado no ataque hacker contra a C&M Software, provedora de serviços de tecnologia para instituições do setor financeiro. A cooperativa foi suspensa cautelarmente do Pix, e o BC ainda analisava recurso enviado pela instituição pedindo liberação de acesso à infraestrutura.
Havia também em andamento um processo de apuração por descumprimento do regulamento do Pix, que poderia resultar em multa. Mesmo liquidada, a Creditag pode ser obrigada a pagar a penalidade.
Na abertura de um seminário promovido pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, disse ver como “emblemático” o fato de uma cooperativa de crédito ter sido liquidada no mesmo dia de um encontro com representantes do setor.
“O relacional que nós temos com as cooperativas, com a OCB, também passa por um processo de educação, de tirar aquelas instituições que não estão atendendo ao propósito. É inadmissível […] cooperativas que sejam instrumentos de bets ilegais. Não posso pensar que a OCB ou quem quer que seja compactue com entidades do segmento dessa forma”, disse.
“Seremos parceiros, sim, mas também adotaremos as medidas necessárias, tirando do sistema entidades que não estão cumprindo o seu propósito”, acrescentou.
A Creditag é uma cooperativa de crédito independente de pequeno porte, enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial, com ativos que respondem por menos de 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto). Em dezembro de 2025, a Creditag detinha aproximadamente 0,0000226% do ativo total do sistema financeiro.
Em nota, o BC disse que “continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.”
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos ex-administradores da cooperativa objeto da liquidação decretada”, informou.
Como liquidante, foi nomeada a empresa J&J Consultoria em Gestão e Controles, com amplos poderes de administração e liquidação.

