SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O número de funcionários das prefeituras brasileiras aumentou 21% em quatro anos, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) compilados por Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence.

Outras esferas da administração pública também tiveram altas nesse período, mas em proporções muito menores: a federal cresceu 2%, e a estadual, 7,39%.

O contingente no setor público municipal passou de 6,2 milhões em dezembro de 2021 para 7,5 milhões quatro anos depois. Na União, o número passou de 1,62 milhão para 1,65 milhão no mesmo período.

O movimento acompanha a tendência do mercado de trabalho como um todo. No período, o emprego formal na iniciativa privada cresceu 16,73%.

Segundo Imaizumi, o total de ocupados na administração pública gira em torno de 13 milhões, em um universo estimado entre 39 milhões e 40 milhões.

Para efeito de comparação, o número de trabalhadores por conta própria chega a 25 milhões, quase o dobro da mão de obra no setor público.

A diferença está no ritmo de expansão dos setores público e privado. No trimestre encerrado em janeiro de 2026, o emprego público cresceu 4,5% na variação interanual, ante 2,1% do emprego privado com carteira assinada.

Entre todas as categorias de ocupação acompanhadas pela pesquisa, o setor público foi o que registrou o maior crescimento no período, afirma Imaizumi.

Para o pesquisador, essa alta nas contratações na administração pública local é motivada tanto pela demanda da população, especialmente por serviços de saúde, quanto por uma melhora na situação fiscal. “De 2022 em diante, as contas de municípios e estados melhoraram, e eles conseguiram mais espaço para contratar. Isso sem nem contar as emendas parlamentares.”

Há vedação ao uso de emendas parlamentares para custear despesas com pessoal (exceto na área de saúde), e esses recursos não são permanentes. Ainda assim, podem liberar verbas de outras fontes para gastos com pessoal.

Um relatório recente da IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão vinculado ao Senado) aponta que, nos municípios, houve aumento nos gastos tanto com pessoal quanto com demais despesas correntes.

Pedro Souza, analista da IFI, afirma que, após a pandemia, houve uma espécie de resposta às restrições impostas durante a Covid-19. Em 2020, uma lei complementar impediu que estados e municípios concedessem reajustes e realizassem contratações além da reposição de vacâncias até o fim de 2021. O crescimento das contratações começou após esse período.

De acordo com a IFI, os municípios brasileiros gastam, em média, 50% da despesa primária com pessoal e encargos sociais. No entanto, há diferenças conforme o porte das cidades.

Nos municípios com mais de 1 milhão de habitantes, as despesas com pessoal representam 31,8%, percentual que aumenta nas cidades menores.

As prefeituras registraram elevado déficit primário entre 2023 e 2024, devido à redução de transferências da União e dos estados —como as cotas do Fundo de Participação dos Municípios, do ICMS e do IPVA— e ao aumento das contratações.

No ano passado, no entanto, houve uma mudança: foi registrado superávit, com aumento de receitas e queda de despesas.

A redução das despesas ocorreu porque os investimentos caíram 31% na comparação entre 2025 e 2024.

Os gastos com pessoal, por sua vez, subiram 4,9% no período.