BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O novo ministro de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou ser contrário a um socorro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao BRB (Banco de Brasília), ligado ao GDF (governo do Distrito Federal). A instituição ficou com um rombo estimado em R$ 12,2 bilhões, advindos da compra de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master.

“Eu, se esse assunto chegar, sou radicalmente contrário a socorrer o BRB”, afirmou Guimarães nesta quinta-feira (16), em café com jornalistas. Na véspera, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o governo federal não se movimentou para ajudar o banco.

“O governo federal não deu nenhuma resposta sobre nenhuma ajuda. Pedimos tudo, acho que não tem a boa vontade de fazer”, disse Celina. No último dia 30 de março, a governadora debateu o tema com o ministro Dario Durigan (Fazenda) por telefone.

Como mostrou a Folha de S. Paulo, a avaliação no governo Lula é que esse tema precisa ser solucionado pelo próprio Distrito Federal, acionista controlador do BRB. Em março, o GDF sancionou a lei que autoriza a gestão distrital a executar ações como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou instituições financeiras.

O Distrito Federal -na condição de acionista controlador do BRB- recebeu aval para recompor, reforçar ou ampliar o patrimônio líquido e o capital social do banco.

A gestão local é de um grupo político rival do PT de Lula. Celina assumiu depois de o agora ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) deixar o cargo para poder disputar uma vaga no Senado. Ibaneis apoiou Jair Bolsonaro (PL) na última eleição presidencial.

Guimarães disse que a gestão Lula atende aos estados independentemente das alianças de seus governadores ou das preferências políticas de seus eleitorados. Mencionou como exemplo investimentos federais anunciados nos últimos dias no Mato Grosso do Sul, estado que em 2022 votou majoritariamente em Bolsonaro.

O novo articulador político do governo Lula também falou sobre a prisão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, e disse ter pensado que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), também havia sido preso.

“Quando eu vi a notícia disse: ‘Vixe! Pensei que tinham prendido o Ibaneis”, narrou Guimarães. O novo ministro da SRI também afirmou que a Polícia Federal tem feito “um trabalho extraordinário” e que a orientação do presidente Lula é investigar, “doa em quem doer”.

O BRB se tornou uma das peças centrais no escândalo do Banco Master porque tentou comprar a empresa de Daniel Vorcaro. O Banco Central, porém, vetou a transação.

O ex-presidente do BRB preso nesta quinta é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, um dos fundamentos para a prisão é a suspeita de que ele teria ocultado seis imóveis recebidos como propina, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos, conforme os elementos reunidos até o momento.

O advogado Cléber Lopes, que faz a defesa de Costa, disse que seu cliente não praticou crime algum e que a prisão realizada foi um exagero por parte da Justiça. “A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique não cometeu crime algum”, disse Lopes ao deixar o apartamento do ex-presidente do BRB no bairro Noroeste, em Brasília, onde ocorreu a prisão.